Relação médico-paciente determinante para uma boa saúde

Estudo publicado na “Plos One”

14 abril 2014
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Uma boa interação entre o médico e o paciente poderá ser benéfica para a saúde do paciente, revela um estudo norte-americano, produzido pelo Massachusetts General Hospital (MGH), no âmbito do Programa de Empatia e Ciências Relacionais daquele hospital.
 

O estudo agora publicado, resulta da meta-análise de estudos anteriores e  compara os efeitos benéficos na saúde exercidos por uma boa relação entre médico e paciente, aos efeitos da toma diária de uma Aspirina sobre a prevenção de ataques agudos de miocárdio.
 

A relação médico-paciente tem sido considerada influenciadora na obtenção de bons resultados de saúde no paciente. No entanto, não existiam factos objetivos que comprovassem esta teoria. A maioria dos estudos centrados na relação médico-paciente era observacional. Eram recolhidos aspetos do encontro clínico e estabelecidas potenciais associações a resultados de saúde, dados que não provavam se as diferenças observadas causavam alterações nos resultados.
 

Ao contrário de estudos anteriores, esta meta-análise teve por base ensaios clínicos aleatórios controlados, com resultados mais fiáveis e que apresentavam um nível elevado de evidência. A relação médico-paciente foi abordada no contexto de tratamento de problemas específicos. Foram selecionados estudos publicados em revistas e que tinham sido revistos por pares e implicavam intervenções dirigidas aos profissionais.
 

De acordo com os critérios preestabelecidos, foram selecionados 13 estudos que tinham sido conduzidos nos Estados Unidos, Europa e Austrália e publicados entre 1997 e 2012. Estes estudos incidiam sobre cuidados prestados a pacientes com doenças como diabetes, hipertensão e osteoartrite e analisavam o impacto da formação dos médicos sobre intervenções com uma variedade de técnicas baseadas no relacionamento.

 

Todos os estudos comparavam os resultados de um grupo de intervenção constituído por médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde, que tinha recebido formação nesta área, com os de um grupo de controlo que tinha prestado os cuidados convencionais.
 

O grupo com a formação centrada na relação apresentou um efeito pequeno mas estatisticamente significativo em termos de resultados de saúde medidos através da tensão arterial, glicose no sangue, perda de peso, níveis de lípidos e dor, em pacientes com problemas com diabetes, osteoartrite, obesidade e asma. Os efeitos das intervenções foram, segundo os autores, superiores ao da Aspirina na redução do enfarte agudo de miocárdio.

 

Helen Riess, diretora do Programa de Empatia e de Ciências Relacionais nos Serviços de Psiquiatria do MGH, explica que “embora o efeito que obtivemos tenha sido pequeno, esta é a primeira análise dos efeitos combinados de estudos anteriores que demonstram que os fatores da relação realmente marcam uma diferença nos resultados de saúde dos pacientes”.
 

John M. Kelley, autor principal do estudo, conclui que “os nossos resultados demonstram que os efeitos benéficos de uma boa relação médico-paciente nos cuidados de saúde são de uma magnitude semelhante à de muitos tratamentos médicos bem estabelecidos".

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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