Relação entre sono e doenças cardiovasculares em estudo

Estudo por investigadores portugueses e latino-americanos

18 maio 2017
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Investigadores portugueses e latino-americanos vão iniciar um estudo que pretende identificar “alvos genéticos” responsáveis pela relação entre alterações do sono e o risco cardiovascular, anunciou a agência Lusa. 
 
“O estudo consiste em identificarmos alvos genéticos que podem ser responsáveis pela mediação inflamatória que é partilhada entre as doenças do sono e algumas doenças cardiovasculares”, disse o presidente da Associação Portuguesa de Cronobiologia e Medicina do Sono (APCMS), Miguel Meira e Cruz.
 
“Acredita-se que essa pode ser uma área de convergência entre duas situações que partilham fatores de risco e pode dar-nos algumas pistas para a ligação entre estas duas condições”, acrescentou o especialista em medicina do sono.
 
O estudo, com a duração prevista de três anos, é dividido em várias etapas, sendo a primeira um rastreio populacional, com ações de rastreio sobre a pressão arterial e qualidade do sono, que arranca este mês, “Mês do Coração”.
 
O rastreio pretende alertar a população para a ligação entre o sono inadequado e o risco cardiovascular e confirmar a relação entre essas duas condições. “Depois dessa observação e da confirmação que existe essa ligação vamos debruçar-nos sobre alguns mecanismos que podem estar associados a isso”, explicou.
 
Hoje sabe-se que o sono perturbado aumenta o risco de erros e acidentes, diminui a imunidade e as defesas gerais e aumenta a probabilidade de desenvolver doenças metabólicas e cardiovasculares. “Mas os mecanismos são ainda pouco conhecidos e controversos, sobretudo quando se sai da área da apneia do sono, doença que claramente afeta a morbilidade e mortalidade cardiovascular”, frisou.
 
Meira Cruz lembrou que “as doenças cardiovasculares mantêm-se como primeira causa de morte no mundo e em Portugal, e o sono adequado é cada vez mais raro, com tendência a piorar”.
 
“Sabendo que a quantidade e a qualidade do sono afetam de forma independente a função do sistema cardiovascular e que muitos dos seus determinantes têm envolvidos fatores hereditários, torna-se compreensível que algumas respostas para melhorar o panorama da saúde em geral e cardiovascular em particular possam estar nos genes, mas também no que designamos de epigenética”, referiu.
 
O investigador responsável pelo projeto, Christian Ramos, sublinha que "existem diversas questões sobre esta relação que ainda não têm resposta, nomeadamente no que respeita aos mecanismos genéticos e moleculares comuns".
 
"Existem alterações nos processos de transcrição e tradução de genes que influenciam esta relação e alguns aspetos particulares associados à expressão genética ou ao seu silenciamento, podem ajudar-nos e compreender melhor os mecanismos básicos que nos permitirão eventualmente otimizar terapêuticas", adiantou Christian Ramos.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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