Relação campos electromagnéticos e o cancro é muito fraca

Conclui relatório da OMS

07 outubro 2001
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A Organização Mundial de Saúde (OMS) concluiu pela inexistência de uma relação de causa e efeito segura entre a exposição prolongada aos campos electromagnéticos e o cancro. Os estudos internacionais sobre a matéria são ainda insuficientes para estabelecer com segurança uma relação de causa e efeito entre ambos, refere a OMS.
 

 

O Centro Internacional de Investigações sobre o Cancro (CIIC) da OMS concluiu a primeira etapa de um processo de avaliação do risco sanitário dos chamados campos eléctricos e magnéticos de frequência muito baixa e estáticos (campos ELF).
 

 

Um estudo epidemiológico sobre leucemia infantil, realizado em conjunto pelo Conselho de Saúde dos Países Baixos e um grupo consultivo de peritos do Conselho sanitário de protecção contra as radiações do Reino Unido, permitiu classificar os campos ELF como "talvez cancerígenos para o homem", a categoria mais baixa das três utilizadas pelo CIIC.
 

 

A primeira, «cancerígeno para o homem», refere-se a substâncias como o tabaco, o amianto e também os raios gama. Na segunda, «provavelmente cancerígeno», incluem-se os gases de escape dos motores a Diesel, as lâmpadas solares ou os raios ultravioletas. Finalmente, na terceira categoria, figuram, além dos campos magnéticos de frequência muito baixa, o café, os gases de escape dos motores a gasolina ou o gás utilizado em soldaduras.
 

 

Segundo a Organização Mundial da Saúde, os campos electromagnéticos actuam sobre os tecidos, induzindo neles campos e correntes eléctricas. Estas são normalmente muito mais fracas do que as que circulam de modo natural no organismo, como as que controlam os batimentos cardíacos.
 

 

Não se conseguiu comprovar de maneira sistemática que os campos ELF presentes próximo do homem danifiquem as moléculas biológicas ou até o ADN, parecendo improvável que possam desencadear um processo catalisador do cancro, refere a OMS.
 

 

Estudos efectuados com animais levam a pensar, assinala a organização, que esses campos electromagnéticos de baixa frequência não fomentam nem são um factor determinante nos processos cancerígenos.
 

 

Apesar disso, continua a OMS, algumas análises recentes de estudos biológicos revelaram um dado epidemiológico que teve um papel determinante na avaliação do Centro Internacional de Investigações sobre o Cancro. Ou seja, numa população exposta a campos magnéticos de frequência média podem registar-se o dobro de casos de leucemia infantil comparativamente a uma população exposta a campos mais débeis.
 

 

Apesar da dimensão das bases de dados que apontaram para tais conclusões, a OMS reconhece que existe uma certa incerteza relativamente à causa real que determina o aumento da incidência da leucemia. Não se sabe se é efectivamente consequência da exposição aos campos magnéticos ou de outros factores.
 

 

A próxima etapa vai consistir em estimar a probabilidade da incidência do cancro nas exposições habituais da população aos campos magnéticos e estudar a sua possível relação com outras doenças não tumorais, uma pesquisa que poderá estar concluída dentro de um ano e meio.
 

 

A OMS considera que, para já, as informações científicas disponíveis sobre os possíveis efeitos cancerígenos dos campos ELF são insuficientes para fixar limites quantitativos à sua exposição.
 

 

Contudo, há certas medidas de precaução que podem ser adoptadas, como diminuir a exposição aos campos electromagnéticos de baixa intensidade, reduzindo, na medida do possível, a utilização de certos aparelhos eléctricos ou aumentando a distância relativamente às fontes produtoras.
 

 

Na altura de instalar novas linhas eléctricas, autoridades, industriais e consumidores deveriam empenhar-se mais em tentar afastá-las do público do que preocupar-se com questões estéticas, recomenda a OMS.
 

 

A Organização sugere às autoridades e à indústria que disponibilizem junto do público informação equilibrada, clara e exaustiva sobre os potenciais riscos da exposição aos campos electromagnéticos e que fomentem investigação cientifica sobre o assunto.
 

 

Fonte: Lusa

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