Rejeição social pode ser a origem de violência juvenil
10 dezembro 2001
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A exclusão social é uma causa ou uma consequência da agressividade? Esta pergunta permaneceu sem resposta durante vários anos mas os resultados de um estudo e as evidências fornecidas pela última série de atentados com armas de fogo em escolas norte-americanas sugerem que a exclusão ou a rejeição social podem estar na origem de comportamentos agressivos e da violência.
 

 

De acordo com a equipa de investigadores coordenada por Jean M. Twenge, da University of California, San Diego (EUA), é possível que as crianças que a priori não apresentem tendência para serem agressivas, se tornem hostis quando são rejeitadas pelos seus companheiros.
 

 

Segundo os especialistas, quase todos os tiroteios ocorridos em escolas americanas envolveram a rejeição dos colegas relativamente aos autores dos disparos. A investigação levada a cabo por Twenge e seus colaboradores sugere que a rejeição social pode, nestes casos, ter desempenhado um papel crucial na violência perpetrada pelos atiradores.
 

 

De acordo com o estudo realizado por estes investigadores, as vitimas de rejeição apresentam níveis superiores de agressividade para com os seus companheiros. De uma forma geral, os estudantes rejeitados pelos seus pares apresentam uma maior tendência para fazer barulho, normalmente com intensidade e duração superiores, mesmo quando foram informados de que o barulho que faziam não incomoda directamente as pessoas que os rejeitaram.
 

 

Numa entrevista à Reuters Health, Twenge afirmou que «até os espectadores inocentes são alvo de agressão por parte de pessoas rejeitadas.» No fundo, segundo este especialista, é o que se passa nos atentados às escolas nos quais os agressores entram em instituições e matam pessoas totalmente inocentes, sem qualquer relação com a rejeição sofrida pelos agressores.
 

 

Baseados nestes resultados, Twenge e seus colaboradores enfatizam a necessidade premente da intervenção dos adultos quando são testemunhas de actos de rejeição ou crueldade entre crianças e adolescentes. Segundo os autores do estudo, «é possível ensinar a criança rejeitada a não ser agressiva mas é muito importante realçar e mostrar às crianças autoras da rejeição como os maus tratos e a provocação podem magoar os outros.»
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI - Médicos Na Internet

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