Rejeição na escola cria ansiedade

Psicólogos querem criar «currículo de alfabetização emocional»

24 setembro 2003
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Salvo raras e boas excepções, as crianças são cruéis umas com as outras. Em especial, em idades mais precoces. E, segundo um estudo da Universidade de Sussex, Inglaterra, as crianças que são rejeitadas pelos seus colegas na escola são frequentemente socialmente mais ansiosas.
 

 

O estudo faz parte de um projecto para auxiliar crianças rejeitadas na escola. Psicólogos da universidade estão a trabalhar com 330 crianças entre os cinco e os dez anos de idade, em sete escolas da cidade costeira britânica de Brighton. Deste modo, os psicólogos procuram encontrar formas de fazer as crianças comportarem-se melhor.
 

 

O psicólogo Robin Banerjee, que coordena o estudo, disse à BBC que a ideia é identificar cedo as crianças que estejam com dificuldades.
 

 

Para o especialista, os resultados do primeiro ano do estudo deram importantes indícios sobre a persistência dos problemas. «As crianças que são rejeitadas pelos seus colegas no início do ano permanecem rejeitadas até ao fim», disse o responsável. E essas crianças, «as mais rejeitadas», quando confrontadas sobre o que sentem consigo próprias, manifestam-se frequentemente os mais socialmente ansiosos.
 

 

Banerjee diz ainda que outras crianças reagem com agressividade e mau comportamento, mas não têm ideia de como melhorar a sua relação com os colegas.
 

 

Para eles, as exigências dos currículos significam que escolas e professores frequentemente não são capazes de dedicar o tempo que gostariam ao contexto social da experiência escolar.
 

 

No entanto, as interacções entre os colegas de escola afectam também o desempenho académico das crianças.
 

Os investigadores entrevistaram os alunos três vezes por ano e usaram um programa de computador para identificar os seus colegas de escola.
 

 

No programa, são criadas várias situações e um questionário. As respostas fornecem aos especialistas não apenas dados sobre o comportamento, mas também sobre como as crianças pensam e vêem o mundo.
 

 

Um dos psicólogos envolvidos no projecto é Bob Daines, que diz já ter produzido um «currículo de alfabetização emocional» preliminar. A ideia é fazer pequenos grupos ou uma turma inteira desenvolver pensamentos e sentimentos sobre os seus colegas por meio de teatro, textos, artes e discussão.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

Jornalista
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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