Reino Unido teve mais casos de BSE do que se pensava

Mais de dois milhões de bovinos infectados

09 outubro 2002
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A doença das vacas loucas, identificada em 1986 no Reino Unido, infectou, no total, mais de dois milhões de bovinos neste país, segundo um estudo publicado na revista da Royal Society, a academia de ciências britânica. Os resultados deste estudo, realizado por uma equipa de investigadores do Imperial College de Londres, indicam que foram infectados duas a quatro vezes mais animais do que se pensava, durante a epidemia de BSE (encefalopatia espongiforme bovina) que assolou o Reino Unido nos anos 80 e 90.
 

 

Acredita-se que a forma humana da doença - a nova variante de Creutzfeldt-Jakob -, que já resultou na morte da maior parte dos casos detectados, seja adquirida pela ingestão de carne infectada. No sentido de prevenir a transmissão da doença, o Governo britânico já pôs em prática várias medidas de controlo de qualidade da carne. Contudo, uma adaptação destes resultados a estudos anteriores sugere que a carne de mais de um milhão e meio de animais infectados entrou na cadeia alimentar.
 

 

Apesar disso, para os investigadores, estes valores não constituem uma preocupação extra relativamente à vertente humana da doença. "Se as tabaqueiras de repente anunciassem que os cigarros contêm duas vezes mais alcatrão do que o que diziam antes, isso não quereria dizer que morreriam duas vezes mais pessoas por causa de doenças relacionadas com o tabaco, mas sim que o alcatrão era menos perigoso do que se julgava", comentou à BBC Online Christl Donnelly, uma das investigadoras responsável pelo estudo.
 

 

O período de incubação da BSE é, em média, cinco anos, pelo que se torna complicado fazer estimativas quanto ao número de seres humanos que a possam desenvolver. A equipa de investigadores calcula, desde 1989, o número de animais infectados a ser distribuído como alimento tem vindo a diminuir, no Reino Unido e que em 2002 é provável que nenhum desses animais tenha sido abatido para fornecer carne.
 

 

Contudo, a análise para outros países da União Europeia não é tão optimista. Os dados comparativos do gado nascido antes de 1996 indicam um nível relativamente elevado de infecções na Grécia, Itália e Bélgica, tendo em conta que a incidência em Inglaterra, Alemanha e França é consideravelmente mais fraca. Para os investigadores, estes dados não devem ser interpretados como um agravamento do problema, mas antes como um alerta para se continuar com a controlar a doença.
 

 

Fonte:Público
 

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