Reino Unido: Ossos de milhares de crianças foram usados em testes nucleares

UKAEA admite nunca ter informado os pais

30 setembro 2001
  |  Partilhar:

A Agência britânica para a Energia Atómica (UKAEA) utilizou ossos de bebés mortos para experiências sobre os efeitos das armas nucleares, sem o consentimento dos pais, admitiu ontem aquele organismo.
 

 

A instituição afirmou que os ossos de 3.400 crianças foram testados entre 1954 e 1970. Em Junho, um hospital na Escócia foi acusado de estar envolvido nestes testes. Mas agora o instituto UKAEA vem confirmar que afinal os ossos foram recolhidos em todo o Reino Unido.
 

 

Ao todo, cerca de seis mil fémures foram extraídos de cadáveres de bebé para um estudo destinado a medir os efeitos de testes nucleares, realizados em Glasgow, Escócia, e Woolwich, sueste de Londres, segundo uma porta-voz da UKAEA.
 

 

«Usamos ossos de crianças fornecidos por hospitais depois das suas mortes», afirmou um porta-voz do órgão à BBC. «Infelizmente, está claro que não foi obtido o consentimento dos pais naquela época.»
 

 

 

Estrôncio 90
 

 

Com este estudo, os cientistas tentavam descobrir qual era o efeito dos testes nucleares promovidos em todo o mundo sobre a saúde humana. Os ossos foram queimados e depois analisados para se determinar os níveis de radioactividade.
 

 

Os investigadores descobriram que os níveis de estrôncio 90, um perigoso elemento químico que tem efeitos semelhantes ao cálcio, elevaram-se, de forma notável, nos testes atómicos.
 

 

A elaboração do estudo levou à suspensão dos testes com armamento nuclear ao comprovar-se o perigo que representavam, acrescentou a porta-voz.
 

 

Estes resultados, no entanto, não agradaram à Associação de Pais Escoceses Por Uma Investigação Pública Sobre Retenção de Órgãos. Os pais ficaram indignados com a notícia e reagiram de imediato: «Precisamos de uma lei rígida que imponha pena de prisão caso toquem nos nossos filhos».
 

 

O uso impróprio de órgãos humanos tem se tornado um problema no Reino Unido, onde o governo lançou um inquérito criminal sobre o patologia holandês Dick van Velzen, depois deste ter sido acusado de remover órgãos de mais de 800 crianças mortas num hospital britânico sem o acordo dos pais.
 

 

Paula Pedro Martins
 

 

MNI - Médicos Na Internet
 

Fonte: BBC
 

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.