Reino Unido aprova selecção de embriões para salvar irmãos
14 dezembro 2001
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Muitos são os casos em que casais desesperados com a doença genética que afecta um dos filhos. E também muitos são os casais que tentam recorrer a todos os métodos científicos para que os possam ajudar a salvar a sua criança.
 

 

A polémica sobre estes casos voltou a reacender-se no ano passado, quando um casal do Colorado (EUA) submeteu 15 embriões a um tipo de avaliação com o objectivo de encontrar um que tivesse tecido compatível com o da filha de seis anos, que nasceu com anemia Fancon – doença genética rara.
 

 

Em Outubro, outro caso fez eco na Grã-Bretanha: um casal pediu autorização às entidades oficiais para poder seleccionar um embrião que dê-se origiem a um irmão ou irmã com o tipo sanguíneo compatível do seu primeiro filho de dois anos que sofre de talassemia- anemia infantil devida a uma anomalia hereditária da elaboração da hemoglobina. Embora esta forma, minimize a possibilidade de ocorrer rejeição após o transplante de células estaminais (células que dão origem a quaisquer outras do organismo), o pedido foi recusado.
 

 

Mas, agora, o Human Fertilisation and Embryology Authority, entidade que regulamenta a reprodução assistida no Reino Unido - deu permissão para a realização de testes de identificação de tecidos de embriões.
 

 

Esse exame permite seleccionar, antes da implantação no útero, embriões cujas células estaminais sejam compatíveis com as de irmãos e irmãs que apresentem problemas genéticos potencialmente fatais para, desse modo, tratar estas crianças.
 

 

Embora as técnicas de diagnóstico genético pré-implantação (DGP) já sejam usadas para detectar doenças genéticas como a fibrose cística antes da fertilização assistida, até ao momento não era possível utilizá-las no país para auxiliar o tratamento de outras pessoas.
 

 

A entidade britânica anunciou, em comunicado de imprensa, ter decidido “em princípio permitir que a identificação de tecido seja usada associada ao DGP nos casos de doenças genéticas graves”.
 

 

 

Essa decisão permite ao casal - que corre o risco de transmitir aos filhos um distúrbio genético - use o DGP não apenas para seleccionar embriões livres de doença, mas também para escolher um embrião capaz de originar um bebé cujo sangue do cordão umbilical possa ser usado no tratamento de um irmão afectado por uma doença.
 

 

”Os locais em que o DGP já é aplicado, podemos verificar que a identificação do tecido para salvar a vida de um irmão é justificada. Isso seria feito apenas em circunstâncias muito raras e sob controle rigoroso”, considera o presidente da entidade, Ruth Deeth.
 

 

A autoridade britânica ainda informou que a situação da criança afectada deve ser muito grave ou potencialmente fatal e que todas as outras possibilidades de tratamento e fontes de tecido devem ser exploradas antes que embriões sejam submetidos ao teste de identificação dos tecidos.
 

 

Além disso, os embriões não devem ser modificados geneticamente para fornecer um tecido compatível. As inscrições para a obtenção de uma licença para realizar o DGP serão consideradas caso a caso pela entidade responsável.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI - Médicos Na Internet
 

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