Reino Unido acolhe o 1º banco de células mãe do mundo

Anúncio formal marcado para o dia 11 de Setembro

27 agosto 2002
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O governo britânico confirmou que vai criar o primeiro banco de células mãe do mundo, organismo que recolherá embriões humanos e medula óssea excedentários para produzir novos tecidos.
 

 

O banco, que vai fornecer à ciência um material precioso e até agora escasso, as células mãe, alimentará a esperança de dezenas de doentes - do coração, de Alzheimer, de diabetes - cujas células inoperantes poderão ser substituídas por outras novas e funcionais.
 

 

O Conselho para a Investigação Médica (MRC), organismo que supervisiona os projectos de investigação oficiais no Reino Unido, vai anunciar a revolucionária iniciativa a 11 de Setembro, coincidindo com o primeiro aniversário dos atentados terroristas nos Estados Unidos, segundo a imprensa local.
 

 

A natureza do projecto e a peculiar data em que será tornado público começaram já a causar polémica no país.
 

 

Relativamente ao dia escolhido, críticos citados pelo jornal "Daily Mail" defendem que a eleição da data esconde a pretensão de fazer com que o controverso anúncio passe despercebido no meio das informações sobre os ataques a Nova Iorque e Washington.
 

 

No que diz respeito ao projecto, segundo o jornal, sectores religiosos e conservadores desaprovam o uso de embriões e temem que, no futuro, os casais submetidos a tratamentos de fertilidade sejam pressionados a doar os seus embriões excedentários a este banco.
 

 

O MRC esclareceu hoje que o banco vai estar devidamente regulamentado e que em nenhum caso "abrirá a porta" à experimentação com embriões, nem permitirá a sua destruição desnecessária.
 

 

"A ideia é que uma vez em funcionamento já não sejam necessários mais embriões, ou que sejam precisos cada vez menos", explicou a porta-voz do organismo.
 

 

Os embriões, mais que a medula óssea, são uma fonte enorme de células mãe, a partir das quais se pode criar todo o tipo de tecidos para facilitar transplantes de órgãos e curar muitas doenças.
 

 

Poder-se-iam criar novas células nervosas para casos de demência ou células cardíacas para doentes do coração, por exemplo.
 

 

Segundo uma lei de 1990, os cientistas britânicos podiam fazer experiências com embriões - óvulos femininos fecundados - durante catorze dias, mas apenas no quadro de investigação sobre fertilidade, aborto natural, anticoncepção, anormalidades cromossómicas ou doenças genéticas.
 

 

Em Dezembro de 2000 a lei foi alterada de forma a permitir a utilização de embriões na criação de novos tecidos, um passo em frente para a eventual criação de um banco de células mãe.
 

 

Segundo dados do jornal, entre 1991 e 1998 foram produzidos no Reino Unido 763.500 embriões, dos quais 184.000 foram armazenados para uso posterior dos casais, 238.000 não chegaram a ser utilizados e foram destruídos, e 48.000 foram doados à ciência.
 

 

Fonte: Lusa

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