Rei Midas de Frígia comia carne em excesso

Restos de banquete funerário revelam novos dados sobre a alimentação do monarca

23 outubro 2001
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Era uma vez um rei muito rico chamado Midas. Só ele possuía mais ouro do que qualquer outro no mundo inteiro. Nada o deixava mais feliz do que conseguir acrescentar mais metal precioso à sua enorme riqueza. O protagonista desta notícia não é, no entanto, o famoso rei da mitologia grega, mas antes um outro monarca com o mesmo nome que reinou na antiga Frígia, actual Turquia, durante o século VIII a C.
 

 

Se o rei Midas, amigo e companheiro de muitos Deuses, transformava tudo o que tocava em ouro, o que o impedia de comer qualquer alimento, já o Midas de Frígia, que não «sofria» deste problema, era um valente comedor de carne. E foi essa dieta carnívora que ajudou a apodrecer boa parte do túmulo do soberano.
 

 

As preferências gastronómicas deste rei da antiga Frígia foram descobertas de maneira indirecta pela análise química da madeira da sepultura, datada do século VIII a.C.
 

 

O túmulo descoberto em 1957, na cidade de Górdio, consiste numa câmara mortuária de madeira coberta de terra. Lá dentro repousava o esqueleto de um monarca de 60 a 65 anos. Mas o rei não estava sozinho. Na sepultura foram encontrados vários objectos, como mobília de madeira, caldeirões de bronze e pratos de cerâmica que ainda continham restos de um farto banquete.
 

 

 

As novas descobertas, publicadas na última edição da revista «Proceedings of the National Academy of Sciences» foram feitas por meio do estudo do elemento nitrogénio, que na forma de gás compõe a maior parte da atmosfera e é um integrante importante dos alimentos. Além disso, o nitrogénio faz parte da dieta de uma espécie de fungo que ataca madeira.
 

 

Os quatro cientistas da equipa de Timothy Filley, da Instituição Carnegie, de Washington, conseguiram amostras de madeira de vários pontos do túmulo e estudaram a composição físico-química. A análise revelou a presença de uma variante mais pesada do nitrogénio, o N15, e a proporção, chamada razão C/N, entre esse elemento e o carbono.
 

 

As madeiras pouco afectadas pelo fungo possuem 70 átomos de carbono para cada átomo de nitrogénio. A parede de madeira não-degradada tinha uma razão C/N de 113,1 para 1. Quanto ao caixão onde repousava o corpo tinha a proporção 13,5 para 1. Os vários pedaços de mesa, onde estavam restos de um banquete funerário, também estavam degradados. A proporção do nitrogênio-15 serve como indicador da dieta, pois tende a acumular-se mais no corpo dos carnívoros.
 

 

Esta não é, no entanto, a primeira vez que os cientistas analisaram o túmulo do rei Midas. Investigações publicadas em 1999 referem que os restos de comida do banquete cerimonial incluía, principalmente, carne grelhada e bebidas alcoólicas. As receitas baseadas nesse banquete real estão disponíveis na internet Receitas do Rei Midas;
 

 

Paula Pedro Martins
 

 

MNI - Médicos Na Internet
 

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