Regulamentação da investigação de células stem e tecidos fetais
26 novembro 2001
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As células stem encontram-se em organismos adultos, fetais e embrionários, são distintas das células germinativas (reprodutivas) e têm a capacidade de se diferenciarem em células da pele, do coração, do cérebro, entre outras, e até de originarem um organismo completo- foi o que se conseguiu com a clonagem da ovelha Dolly a partir de uma célula stem isolada da mama.
 

 

A actual legislação americana para a investigação em células stem obtidas a partir de fetos humanos permite que esta se realize para fins de investigação sob regras apertadas e os subsídios do estado não contemplam este tipo de investigação, a qual se tem vindo a desenvolver essencialmente em laboratórios de empresas privadas.
 

 

Muitos investigadores das universidades criam outros laboratórios para fazerem este tipo de investigação sem utilizarem reagentes e materiais financiados pelo estado neste tipo de trabalhos, o que lhes poderia custar a perda das suas bolsas.
 

 

A adicionar à polémica, está o facto de a fonte de células stem residir em embriões criados com vista à implantação durante terapêuticas de fertilização in vitro (em tubos de ensaio) mas que não chegaram a ser utilizados, o que, em si mesmo, é altamente discutível já que cada um destes embriões é um ser humano em todo o seu potencial e existe uma alternativa chamada adopção.
 

 

Investigadores do Hospital Universitário Johns Hopkins, nos Estados Unidos, pretendem que a regulamentação deste tipo de investigação seja feita de um modo diferente. Em vez de se falar em investigação de células stem, estes investigadores pretendem que as entidades regulamentadoras americanas passem a considerá-la apenas como um subtipo de investigação em tecidos fetais ou, então, que se altere toda a legislação nesta área.
 

 

A mesma equipa, sugere que as novas regras devem assegurar que a investigação não deve influenciar a decisão de descongelar um embrião ou terminar a gravidez, que se deve obter autorização para que os embriões e tecidos fetais sejam utilizados para investigação, que não hajam incentivos para promover a doação de tecidos embrionários e fetais e que haja um organismo regulamentador para assegurar o cumprimento destas regras.
 

 

Ora, eu pergunto: como é que se pede autorização ao embrião para o descongelar, partir em peças e destruir, como indivíduo, com vista à utilização noutro indivíduo? E como será possível fazer este tipo de investigação sem promover o comércio de embriões quando já há numerosos anúncios nos jornais para pedidos de doacção de ovários e até de incubação de fetos, vulgarmente conhecidas por gravidezes? Até que ponto é legítimo utilizar células de organismos embrionários para tratamento de um organismo adulto?
 

 

No meu entender, esta situação tem solução. Parecem existir em organismos adultos células stem- foi a partir de um organismo adulto que se isolou a célula que se desenvolveu e deu origem à Dolly. Por isso, julgo que será de promover as tecnologias de isolamento, nutrição e desenvolvimento de células stem de adultos e não de embriões. Poderá não ser a via mais fácil, no sentido em que será mais difícil isolar um grande número de células stem de 1 cm2 de pele ou de 1 cm3 músculo de uma pessoa adulta do que de um embrião mas tem outras vantagens, nomeadamente o de ser possível isolar células stem da própria pessoa que precisa de tratamento e de se evitar a destruição de embriões humanos que são potenciais pessoas.
 

 

Doutor M. Jorge Guimarães
 

MNI - Médicos Na Internet

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