Regeneração dos tecidos e os antioxidantes

Estudo publicado na revista “Nature Cell Biology”

16 janeiro 2013
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As moléculas oxidantes poderão ter um papel importante na regeneração dos tecidos, sugere um estudo conduzido por investigadores americanos e agora publicado na revista “Nature Cell Biology”.
 

Contrariamente aos humanos, as rãs e as salamandras têm uma capacidade de regeneração impressionante. Caso um girino fique sem cauda, após uma semana esta já se encontra regenerada.
 

Já desde há alguns anos que os investigadores da University of Manchester, nos EUA, tentam perceber de que modo o processo de regeneração ocorre, na esperança de encontrar nova terapias capazes de aumentar a capacidade de cura e de melhor regeneração nos humanos.
 

Estudos anteriores realizados pela mesma equipa de investigação já tinham constatado que havia vários genes envolvidos no metabolismo que ficavam ativos durante a regeneração das caudas dos girinos. Foi observado que esses genes estavam particularmente associados à produção de espécies reativas de oxigénio (ROS), as quais são habitualmente associadas a efeitos prejudiciais.
 

De forma a investigar o papel das ROS no processo de regeneração, os investigadores mediram os níveis de peróxido de hidrogénio, um tipo de ROS, durante a regeneração da cauda dos girinos. Foi observado que os níveis desta molécula aumentaram após a amputação da cauda e mantiveram-se elevados durante todo o processo de regeneração, o qual teve a duração de alguns dias. “Ficámos surpreendidos com estes resultados, uma vez que as ROS têm vindo a ser associadas a impactos negativos nas células. Contudo, estas moléculas parecem ter um efeito positivo no processo de regeneração”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Enrique Amaya.
 

Para a avaliar a importância da presença das ROS no processo de regeneração, os investigadores inibiram a sua presença através da adição de antioxidantes ou pela inativação do gene responsável pela sua produção. Em ambos os casos foi verificado que o processo de regeneração foi inibido. “O nosso estudo sugere que as ROS são essenciais para a iniciação e sustentabilidade do processo de regeneração. Também verificámos que a produção destas moléculas são importantes para a ativação de vias de sinalização que estão envolvidas em todos os sistemas de regeneração estudados, incluindo as dos humanos”, refere o investigador.
 

Enrique Amaya chama ainda à atenção para o efeito surpreendentemente negativo dos antioxidantes na regeneração dos tecidos, uma vez que estas moléculas estão habitualmente associadas a efeitos benéficos para a saúde”.
 

Na verdade outros investigadores já tinham recentemente sugerido que os antioxidantes poderiam ter um efeito prejudicial nas fases avançadas de cancro. “Os nossos resultados e os de outras equipas colocam assim em causa os benefícios e os malefícios que os oxidantes versus os antioxidantes poderão ter na saúde dos humanos. Neste caso verificámos que as ROS parecem ter um efeito benéfico no processo de cura e de regeneração”, conclui o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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