Regeneração de lesões do sistema nervoso: identificado alvo

Estudo publicado no “The Journal of Neuroscience”

28 abril 2014
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Investigadores do Instituto de Biologia Molecular e Celular, da Universidade do Porto, constataram que o transporte de componentes celulares dentro dos neurónios é o principal alvo da regeneração de lesões no sistema nervoso.
 

O estudo, publicado no “The Journal of Neuroscience” e ao qual a agência Lusa teve acesso, dá conta de novos caminhos para resolver um dos grandes desafios biomédicos: “a razão pela qual os neurónios da espinal medula, ao contrário dos [neurónios] do sistema nervoso periférico, são incapazes de regenerar os axónios (prolongamento de uma célula nervosa que recebe os impulsos nervosos e os transmite a outras células ou órgãos) e ligações perdidas durante uma lesão”.
 

De acordo com a líder do estudo, Mónica Sousa, o maior contributo deste trabalho é “identificar o transporte axonal como um alvo importante da investigação em regeneração axonal”, referindo que “poderá ser o futuro no desenvolvimento de terapias com o fim de aumentar a regeneração axonal no sistema nervoso central adulto”.
 

Os autores do estudo explicam que “a maioria dos neurónios do sistema nervoso central é incapaz de regenerar os finíssimos prolongamentos, chamados axónios, que os ligam a outros neurónios. O caso mais particular é o dos axónios mais longos, que se prolongam desde o cérebro, atravessando a espinal medula, até a zonas longínquas do corpo, em extensões de cerca de um metro”.
 

“Estes axónios são essenciais para que a informação rapidamente percorra o caminho entre o nosso corpo e o cérebro e vice-versa. As lesões na espinal medula, em consequência de traumatismos, resultam na maioria das vezes na perda de sensibilidade e na perda de capacidades motoras, simplesmente porque os axónios foram cortados. A incapacidade de regenerar esses axónios tem sido uma das frustrações da biomedicina e o principal impedimento à recuperação de muitos acidentados”, acrescentam.
 

Desta forma, os investigadores centraram o seu estudo em neurónios que têm uma dupla posição, ou seja, “têm axónios dentro e fora do sistema nervoso central. Esta dupla posição confere-lhes uma plasticidade interessante, pois recuperam de lesões primárias que sofram na parte periférica, mas não das [lesões] da parte central. Porém, se sofrerem lesões múltiplas e sequenciais, mostram ter uma capacidade aumentada de regenerar o ramo central. De facto, se tiverem sofrido uma lesão prévia no seu ramo periférico, o ramo central do neurónio também ganha capacidade de regenerar”.
 

O estudo mostrou que, “quando a lesão periférica ocorre, há um aumento global do transporte axonal, nomeadamente de proteínas, organelos e vesículas. Este fenómeno não fica restrito ao axónio periférico lesionado, estendendo-se ao axónio central. Se este último, o axónio central, sofrer uma lesão subsequente, uma lesão da medula espinal, toda a maquinaria necessária a montar a regeneração axonal já estará presente e funcional”, explica Fernando Mar, primeiro autor do trabalho.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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