Regeneração da medula espinhal: mais um passo

Estudo publicado na revista “Science”

17 março 2015
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Uma equipa internacional de investigadores verificou que a epotilona, um fármaco de tratamento do cancro, promoveu a regeneração de neurónios e a melhoria das capacidades motoras em animais.


Os investigadores liderados por cientistas do Centro Alemão de Doenças Neurológicas, em Bona, Alemanha, observaram que o fármaco epotilona, quando administrado em pequenas quantidades, fazia reduzir a formação do tecido cicatricial em danos provocados à medula espinhal e estimulava o crescimento das células nervosas danificadas.


Quando a medula espinhal sofre uma lesão, é raro recuperar, porque as células nervosas não se conseguem regenerar. O crescimento das suas longas fibras nervosas é travado pelo tecido cicatricial e por processos moleculares no interior dos nervos.


As células nervosas são uma espécie de fios condutores que transmitem e recebem sinais sob a forma de impulsos nervosos. Esta função pode ser afetada por acidentes ou doença. A recuperação dos nervos afetados depende largamente da sua localização: por exemplo, as células nervosas nos membros, tronco e nariz podem regenerar-se até certo ponto e recuperar parcial ou totalmente a sua função.


As células nervosas do cérebro e da medula espinhal não possuem, contudo, esta capacidade regeneradora. Se forem afetadas por acidente ou doença, o paciente muito possivelmente irá sofrer de paralisia de longo termo ou de outras incapacidades. É já sabido que o tecido cicatricial e outros processos celulares bloqueiam a regeneração de axónios na célula nervosa.


Segundo Frank Bradke, líder de um dos grupos de trabalho do Centro Alemão de Doenças Neurológicas, o tratamento ideal para promover o crescimento dos axónios, na sequência de lesão à medula espinhal, irá inibir a formação de tecido cicatricial. “No entanto, é também importante que os fatores inibidores do crescimento sejam neutralizados e o potencial regenerador deficitário dos axónios seja reativado”.


O investigador e uma equipa internacional conseguiram dar um novo passo no sentido do desenvolvimento de um futuro tratamento. Estudos anteriores tinham apurado que se se obtivesse a estabilização dos microtúbulos conseguir-se-ia reduzir a formação de tecido cicatricial e assim promover o crescimento de axónios. Os microtúbulos são filamentos longos que se encontram no interior da célula e que se expandem a contraem dinamicamente. Fazem parte do esqueleto da célula e controlam também o crescimento e movimento celular.


O fármaco epotilona demonstrou ter a capacidade de estabilizar os microtúbulos. “Em doses mais elevadas, a epotilona inibe o crescimento das células cancerígenas, sendo que as doses baixas demonstraram estimular o crescimento de axónios em animais, sem os impactos graves dos efeitos colaterais do tratamento para o cancro”, explica Jörg Ruschel, autor principal do estudo.


A epotilona atua a diversos níveis: o fármaco reduz o crescimento do tecido cicatricial, inibindo a formação de microtúbulos nas células que formam aquele tecido. Deste modo, estes não conseguem migrar para a lesão da medula espinhal e provocar a cicatrização. Simultaneamente, o fármaco promove o crescimento e regeneração das células nervosas, fazendo com que os microtúbulos cresçam nas extremidades danificadas dos axónios.


No futuro, a equipa de investigadores pretende testar o efeito da epotilona sobre vários tipos de lesão.


ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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