Reformados lusos no Luxemburgo com maior risco de depressão e demência

Estudo apoiado pela Confederação da Comunidade Portuguesa no Luxemburgo

11 agosto 2015
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Emigrantes portugueses em idade de reforma radicados no Luxemburgo apresentam maior risco de sofrer de depressão e demência devido a um percurso “marcado pela dureza do trabalho e da imigração”, revela um estudo realizado por uma cientista portuguesa com o apoio da Confederação da Comunidade Portuguesa no Luxemburgo.
 
De acordo com a notícia revelada pela agência Lusa, o estudo em questão analisou o percurso profissional e social de 35 emigrantes com mais de 60 anos e concluiu que os portugueses estão mais expostos ao isolamento, o que pode potenciar a depressão, e apresentam maior risco de vir a sofrer de doenças neurodegenerativas, nomeadamente Alzheimer.
 
Segundo explicou à Lusa Rute Monteiro, a gerontóloga responsável pela investigação, “a doença de Alzheimer tem maior prevalência nos idosos com baixa escolaridade e atividades laborais que não requerem a utilização de capacidades intelectuais”.
 
Visto que uma grande parte dos emigrantes lusos no Luxemburgo trabalham no setor da construção ou das limpezas, estes encontram-se em situação de risco, uma vez que “a baixa escolaridade e a fraca estimulação resultam em declínio na fase do envelhecimento”.
 
O facto de a maioria destes reformados não ter atividades de ocupação de tempos livres, apenas agrava esta situação. Segundo o estudo, a ocupação dos tempos livres, nesta população, tende a confundir-se com trabalho, com os homens “a fazer biscates”, e as mulheres a associar “o lazer à limpeza da casa ou aos arranjos da roupa dos filhos”, explica a gerontóloga. 
 
Tal fica a dever-se, na sua opinião, a um percurso “marcado pela dureza do trabalho e da emigração”.
 
Os participantes do estudo enquadram-se numa geração que nasceu sob a ditadura, explica Rute Monteiro, em que a escolaridade era muito reduzida, e em que as classes mais pobres “não tinham como responder às necessidades mais básicas. “A partir do momento em que emigram, querem resolver estes problemas básicos: dar melhor qualidade de vida aos filhos, construir uma casa, voltar para Portugal".
 
Por esta razão, para a maioria dos emigrantes portugueses que chegam à reforma, "a única utilização do tempo são as necessidades básicas para sobreviver: o banho, a comida, as compras, as idas ao médico".
 
Apesar de terem emigrado para o Luxemburgo com o intuito de regressar a Portugal, a maioria acaba por decidir ficar no país de acolhimento, “onde já vivem com os filhos e os netos”.
 
Como tal, os portugueses no Grão-Ducado sofrem ainda pelo facto de "serem imigrantes no país onde vão viver a última fase das suas vidas".
 
"Como é que pessoas que não falam bem a língua, que não gostam da comida luxemburguesa, vão ser colocadas num meio exclusivamente luxemburguês? Não é preciso ser-se gerontóloga para perceber isto: se uma pessoa está num sítio assim, não vai participar nas atividades, vai ficar completamente isolada e não vai ter boa saúde mental", afirmou a especialista.
 
De acordo com Rute Monteiro, este problema tem tendência a agravar-se, sublinhando que o número de idosos portugueses a viver naquele país (6.100 pessoas com mais de 59 anos, segundo dados do Statec citados no estudo) pode duplicar na próxima década.
 
"Se não fizermos nada, dentro de dez anos vamos ter cerca de 15 mil portugueses com mais de 60 anos, e destes, pelo menos dez mil correm estes mesmos riscos", afirmou.
 
Para a gerontóloga, "as instituições no futuro têm de se abrir mais aos imigrantes" e "apostar na estimulação cognitiva e na integração destas pessoas, com atividades que lhes interessem".
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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