Reforço psicológico nas escolas teria “retornos económicos elevados”

Defende Ordem dos Psicólogos Portugueses

07 agosto 2015
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A Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) defende que o reforço da saúde psicológica nas escolas originaria “retornos económicos elevados” na ordem dos 800 milhões de euros.
 
De acordo com notícia veiculada pela agência Lusa, estes valores apoiam-se em estudos internacionais que acompanham os estudantes ao longo do seu percurso educacional até à vida ativa e, segundo os quais, por cada 7,83 euros investidos por aluno o retorno é de 180 euros. Se o investimento for superior, cerca de 25,68 euros por aluno, o benefício pode atingir os 660,51 euros.
 
Tendo por base o universo de 1.280.000 alunos portugueses que frequentam o ensino básico e secundário em escolas públicas, o investimento de 25,68 euros por aluno poderia traduzir-se num retorno de 812 milhões de euros.
 
Por outro lado, “a reprovação de um aluno no ensino público (no básico e no secundário) custa cerca de 4.000 euros”. Se reprovarem 120 a 130 mil estudantes, como aconteceu em 2014, são 500 milhões de euros anuais, só em custos diretos, exemplificou a OPP à Lusa.
 
Como tal, a OPP defende que “podiam ser obtidos ganhos elevados com a implementação de programas de prevenção e promoção da saúde psicológica nas escolas”.
 
Para esta Ordem, o reforço da intervenção psicológica, como vários estudos indicam, é um “fator fundamental na prevenção” destes “fenómenos de absentismo, retenção e abandono escolar”, mas também de obtenção de ganhos económicos.
 
Na perspetiva da OPP existe “um desequilíbrio claro entre aquilo que é a resposta da escola pública e da escola privada nesta matéria em Portugal”, uma vez que as escolas públicas apresentam um rácio de 1.645 alunos por psicólogo, enquanto nas escolas privadas é de um para 795. As boas práticas internacionais defendem um rácio de um psicólogo para mil alunos.
 
Além disso, a Ordem frisa ainda as condições precárias, com contratações de 20 horas para um agrupamento de escolas, muitas vezes, com cerca de 1.500 alunos.
 
Muitas vezes, “o psicólogo chega à escola em meados de outubro, sem conhecer os professores, os alunos e a comunidade escolar e é bombardeado com um sem número de casos urgentes, nos quais a intervenção é iminentemente clínica e não configura aquilo que é a intervenção em psicologia da educação”, sublinhou a OPP.
 
No ano passado, as escolas contaram com a colaboração de cerca de 800 psicólogos, segundo dados do Ministério da Educação e Ciência.
 
Além destes, havia já 424 psicólogos dos quadros dos estabelecimentos de ensino e outros 140 que podiam ser contratados pelas escolas com contratos de autonomia ou integradas em Territórios Educativos de Intervenção Prioritária (TEIP).
 
A OPP entregou a análise sobre os ganhos de investir na saúde psicológica nas escolas às direções-gerais do Ministério da Educação.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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