Refluxo gástrico: medicação ou cirurgia?

Estudo publicado na revista “Clinical Gastroenterology and Hepatology”

04 janeiro 2010
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Doentes que sofram de sintomas graves de refluxo gastroesofágico podem optar entre a medicação e a cirurgia para o alívio da patologia. No entanto, os investigadores alertam que, embora as duas vias sejam eficazes, também diferem em alguns aspectos importantes, refere um estudo publicado na revista “Clinical Gastroenterology and Hepatology”.

 

A doença do refluxo gastroesofágico consiste na regurgitação do conteúdo alimentar presente no estômago, normalmente ácido, que provoca ardor e mal-estar e que pode, se não for controlada, inflamar e danificar a faringe e o esófago.

 

Num estudo realizado por Lars Lundell, da Karolinska University Hospital, na Suécia, foram avaliados 255 pacientes: 122 submetidos a cirurgia para controlar o refluxo e 133 que tomaram o fármaco omeprazol destinado a minimizar os sintomas do problema.

 

ºEmbora o estudo tenha previsto, inicialmente, um acompanhamento de cinco anos, após 12 anos a equipa de Lundell continua a avaliar 53 pacientes do grupo de cirurgia e 71 do grupo omeprazol.

 

Após este tempo de acompanhamento, os investigadores concluíram que ambos os tratamentos resultaram num acréscimo semelhante da qualidade de vida.

 

No artigo, os cientistas referem que dos 53 pacientes submetidos a cirurgia, 28 (53%) permaneceram em remissão contínua. Dos 71 que tomaram o medicamento, 45% daqueles que tiveram ajustes na dose e 40% dos que ficaram com uma dose fixa também permaneceram em remissão contínua.

 

Em geral, a cirurgia funcionou melhor no controlo dos sintomas da condição, tais como a azia e o refluxo, mas, a longo prazo, o omeprazol evitou os problemas decorrentes do pós-operatório, tais como dificuldade em engolir, flatulência e uma incapacidade de arrotar ou vomitar. Note-se que, segundo o estudo, as queixas frequentes no período pós-operatório não diminuíram ao longo do tempo. Além disso, dos pacientes operados, 38% foram medicados para reduzir o ácido gástrico.

 

Em comunicado enviado à imprensa, o líder da investigação afirma que ambos os tratamentos foram bem sucedidos. Contudo, Lundell comenta que, perante os dados, “a maioria das pessoas provavelmente concluirá que, na dose certa, o omeprazol é quase tão bom quanto a cirurgia”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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