Redução da temperatura corporal ajuda recém-nascidos com hipóxia

Estudo publicado no “New England Journal of Medicine”

06 outubro 2009
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A redução da temperatura corporal de recém-nascidos que se encontram em hipóxia, estado caracterizado por baixos níveis de oxigénio nos tecidos, reduz o risco de problemas neurológicos posteriores, revela um estudo publicado no “New England Journal of Medicine”.

 

A redução da temperatura corporal, ou hipotermia, é uma técnica que já é utilizada desde os anos 20 e 30 para ajudar a tratar ferimentos ou reduzir os danos causados por um enfarte agudo do miocárdio. No entanto, só nos últimos anos é que a comunidade científica começou a estudar como a hipotermia poderia ajudar os bebés prematuros que sofrem de encefalopatia hipóxico-isquémica, uma patologia caracterizada pela privação de sangue no cérebro.

 

Neste estudo, que foi realizado em cinco países, os investigadores contaram com a participação de 252 bebés que tinham menos de seis horas de idade, que nasceram perto do termo e sofreram danos cerebrais como resultado de privação de oxigénio.

 

Os recém-nascidos foram aleatoriamente divididos em dois grupos, um em que os bebés foram submetidos a cuidados intensivos e arrefecimento corporal durante 72h, até aos 33,5 ºC, e o outro em que eles foram submetidos apenas a cuidados intensivos, constituindo este último o grupo de controlo.

 

Após cerca de 18 meses de acompanhamento, os investigadores constataram que a mortalidade foi equivalente nos dois grupos: 42 bebés morreram no grupo que foi submetido ao arrefecimento corporal e 44, no grupo de controlo. Por outro lado, o número de crianças que desenvolveram problemas neurológicos graves foi de 32 no grupo submetido ao arrefecimento corporal e de 42 no grupo de controlo.

 

Contudo, a redução da temperatura corporal aumentou em 57% a probabilidade de sobrevivência sem danos neurológicos, que incluiu uma redução de cerca de 33% no risco de paralisia cerebral bem como no índice de desenvolvimento mental e capacidades psicomotoras. O arrefecimento corporal também reduziu a taxa de desenvolvimento de múltiplos problemas neurológicos: 21 bebés no grupo submetido ao arrefecimento, em 112 sobreviventes, contra 33 dos 110 sobreviventes do grupo de controlo.

 

Os autores explicam que o arrefecimento corporal poderá retardar o metabolismo das células dos neurónios de forma a evitar a sua morte.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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