Redução da pressão e medo de falhar associados ao sucesso escolar

Estudo publicado no “Journal of Experimental Psychology: General”

15 março 2012
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As crianças poderão ter um maior sucesso escolar se sentiram mais confiantes e se lhes for transmitido que falhar faz parte da aprendizagem, em vez de as pressionar para serem bem-sucedidas a todo o custo, sugere um estudo publicado no “Journal of Experimental Psychology: General”.

 

“Focámo-nos na crença que associa o sucesso escolar ao elevado nível de competência e o fracasso com a inferioridade intelectual", revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Frederique Autin. “Ao serem obcecado pelo sucesso, os estudantes têm medo de falhar, ficando assim relutantes em avançar para assuntos difíceis que os permitiriam dominar novas matérias.

 

"Reconhecer que a dificuldade é uma parte crucial da aprendizagem poderá interromper o círculo vicioso, no qual a dificuldade cria sentimentos de incompetência que afetam a aprendizagem”.

 

Num primeiro estudo os investigadores da Université de Poitiers, em França, contaram com a participação de 111 alunos franceses que frequentavam o sexto ano, aos quais foram fornecidos anagramas com elevado grau de dificuldade, que nenhuma criança conseguia resolver. Um dos investigadores conversou com os estudantes sobre a dificuldade dos problemas. A um grupo foi transmitido que aprender é difícil e falhar é normal, mas a prática ajuda, tal como acontece quando se aprende a andar de bicicleta. Por outro lado, as crianças do segundo grupo foram só questionadas sobre como tentaram resolver o problema. Os participantes foram submetidos a testes para avaliação da capacidade de memória do trabalho, uma capacidade cognitiva fundamental para o armazenamento e processamento da informação. O estudo indicou que os estudantes aos quais lhes foi explicado que aprender é difícil obtiveram melhores resultados nos testes de avaliação da memória de trabalho, especialmente nos problemas mais difíceis, do que o grupo de controlo.

 

Numa segunda experiência 131 alunos foram submetidos ao mesmo tipo de desafios e discussões com um investigador. Contudo, a um dos grupos foi dado um teste de anagrama simples que poderia ser resolvido, mas a este grupo não foi dito que aprender era difícil. Todos os estudantes foram submetidos a um teste de compreensão. Mais uma vez, as crianças que falaram com o investigador obtiveram melhores resultados que os outros grupos, incluindo aqueles que tiveram sucesso no teste simples.

 

Os resultados do estudo mostraram que a melhoria nos resultados dos testes foi temporária, embora a capacidade de memória de trabalho possa ser melhorada se a confiança dos estudantes for estimulada e se o medo de fracasso for menor. “O nosso estudo sugere que os estudantes poderão beneficiar de uma educação que lhes dê espaço para lutar contra as dificuldades. "Os professores e os pais devem incentivar as crianças a progredir em vez de se focarem apenas nas notas dos testes. Aprender demora tempo e cada etapa do processo deve ser recompensada, especialmente nas fases inicias, quando os alunos fracassam mais frequentemente”, conclui Frederique Autin.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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