Redução da inflamação pode impedir progressão da doença de Alzheimer

Estudo publicado na revista “Brain”

12 janeiro 2016
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Investigadores do Reino Unido constataram que o bloqueio de um recetor no cérebro responsável pela regulação das células imunitárias pode proteger contra as alterações de memória e comportamento observadas na progressão da doença de Alzheimer, dá conta um estudo publicado na revista “Brain”.
 

Acreditava-se que a doença de Alzheimer afetava a resposta imunológica no cérebro. Contudo, este estudo, liderado pelos investigadores da Universidade de Southampton, no Reino Unido, apurou que a inflamação no cérebro pode ditar o desenvolvimento da doença. Os achados sugerem que a redução da inflamação pode impedir a progressão da doença.
 

Para o estudo os investigadores, liderados por Diego Gomez-Nicola, analisaram amostras de tecido do cérebro de indivíduos saudáveis e com Alzheimer, com a mesma idade. Foram avaliados o número de um tipo específico de células imunitárias, as microglia ou microgliócitos. Verificou-se que este tipo de células encontrava-se em maior número no cérebro dos pacientes com doença de Alzheimer. Adicionalmente, observou-se que a atividade das moléculas que regulam a quantidade dos microgliócitos estava associada à gravidade da doença.
 

Posteriormente, os investigadores também estudaram este tipo de células imunitárias em ratinhos geneticamente modificados para desenvolverem características da doença de Alzheimer. Após terem tratado os animais com um inibidor do recetor responsável pela regulação dos microgliócitos, o CSF1R, os investigadores verificaram que o aumento do número de microglia era impedido à medida que a doença progredia. A inibição do recetor também impediu a perda de pontos de comunicação entre as células nervosas do cérebro, a qual está associada à doença. Verificou-se ainda que os ratinhos tratados apresentavam menos problemas de memória e comportamento, comparativamente com os animais incluídos no grupo de controlo.
 

O estudo apurou ainda que o número de microgliócitos saudáveis necessários para manter uma função imunológica normal no cérebro foi mantido, o que sugere que o bloqueio do CSF1R apenas reduz o número de microgliócitos em excesso. Por outro lado, não foi verificada uma redução das placas amiloide no cérebro, uma característica da doença de Alzheimer. Este achado vai de encontro a outros estudos que já tinham sugerido que existem outros fatores que poderão desempenhar um papel importante no declínio cognitivo.
 

Os autores do estudo concluem que estes resultados podem conduzir a um tratamento eficaz contra a doença de Alzheimer, para a qual ainda não existe atualmente cura.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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