Recurso inadequado a radiação em doentes terminais

Estudo publicado no “Cancer”

26 abril 2010
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Os oncologistas têm dificuldade em estimar o tempo de vida dos pacientes que sofrem de cancro em fase terminal, o que conduz, muitas vezes, a um tratamento paliativo inadequado, refere um estudo publicado no “Cancer”.

 

Os pacientes que sofrem de cancro em fase terminal são muitas vezes submetidos a pequenas doses de radiação paliativa para aliviar a dor decorrente da doença. O objectivo desta terapia não é tratar o cancro ou, mesmo, retardar a sua progressão, mas proporcionar ao doente uma melhor qualidade de vida nos seus últimos dias.

 

De forma a avaliar se a radiação paliativa era, de facto, benéfica para os doentes terminais, investigadores da University Hospital Düsseldorf, na Alemanha, contaram com os dados clínicos de 216 pacientes que sofriam de cancro em fase terminal, os quais tinham sido submetidos a radiação paliativa entre Dezembro de 2003 e Julho de 2004. Destes, 33 pacientes falecerem um mês após terem sido internados na unidade de radioterapia oncológica. A maioria deles (91%) receberam tratamento de radiação paliativa; metade dos doentes passaram mais de 60% do seu tempo de vida a serem submetidos à radiação.

 

Os investigadores constataram que, apesar de, na teoria, a radiação paliativa aliviar os sintomas decorrentes do cancro, na verdade, esta terapia conduziu a um agravamento dos sintomas em mais de metade dos pacientes (52%). Perante estes resultados, muitos interromperam este tipo de terapia.

 

O estudo revelou ainda que sete pacientes (23%) morreram durante o tratamento e que apenas 26% dos pacientes sentiram uma redução na dor. Isto sugere que um número significativo de doentes não beneficiou da radiação paliativa, concluíram os investigadores, liderados por Stephan Gripp.

 

O estudo também indicou que os oncologistas necessitam de utilizar outros métodos para estimarem o tempo de sobrevivência dos seus pacientes. De acordo com o estudo, um em cada cinco médicos estimou incorrectamente que os seus pacientes tinham mais de seis meses de vida.

 

Num tratamento paliativo, uma estimativa precisa do tempo de vida do paciente é importante, de forma a evitar tratamentos desnecessários e dispendiosos. “Muitos dos nossos pacientes foram tratados com pouco ou nenhum benefício", afirma Stephan Gripp em comunicado de imprensa, acrescentando que o facto de se ter “sobrestimado a sobrevivência” poderá ter contribuído para uma terapia inadequada com "um desperdício de tempo considerável e uma elevada percentagem de doentes a interromper a terapia".

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A
 

 

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