Recuperam células imunitárias para atacar tumores

Estudo publicado na revista “Nature Cell Biology”

16 junho 2016
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Um dos principais obstáculos ao tratamento do cancro é que os tumores são capazes de recrutar células imunitárias e fazer com que estas trabalhem em seu benefício. Investigadores suíços encontraram uma forma de recuperar as células imunes danificadas, permitindo que o sistema imunitário ataque o tumor e impeça inclusivamente o desenvolvimento de metástases, dá conta um estudo publicado na revista “Nature Cell Biology”.
 

Os macrófagos são um tipo de células imunitárias que protegem o hospedeiro dos agentes patogénicos invasores. Contudo, estas células podem ser sequestradas pelos tumores para apoiar o seu crescimento e disseminação.
 

Neste estudo, os investigadores da Escola Politécnica Federal de Lausanne, na Suíça, e do Centro de Inovação da Roche, na Alemanha, identificaram um interruptor molecular que pode converter estes macrófagos em células capazes de estimular o sistema imunitário.
 

Para além de constituírem uma barreira de defesa contra microrganismos invasores, os macrófagos estão também envolvidos no desenvolvimento de órgãos e na cura de feridas. Este comportamento é aperfeiçoado por um tipo moléculas que os macrófagos produzem, os microARN.
 

Quando o tumor se começa a desenvolver, este sequestra frequentemente os macrófagos e converte-os em “macrófagos associados ao tumor” (TAM, sigla em inglês). Uma vez corrompidos, os TAM utilizam os seus microARN para formar um escudo contra o ataque do sistema imunitário, permitindo o seu crescimento e metastização. Este fenómeno, muito comum a vários tipos de tumores, é um dos maiores obstáculos ao tratamento do cancro, conduzindo frequentemente a um mau prognóstico.
 

No estudo, os investigadores, liderados por Michele de Palma, modificaram geneticamente os TAM de forma a removerem a sua capacidade de produzir microARN. Assim, em vez de proteger o tumor, os TAM sinalizaram a presença do mesmo, desencadeando um ataque por parte do sistema imunitário.
 

Através de uma abordagem bioinformática, os investigadores descobriram que uma pequena família de microARN, as Let-7, estavam envolvidas neste processo. Assim, o bloqueio das microARN Let-7 pode ajudar a instruir as TAM a estimulara imunidade antitumoral.
 

O estudo apurou que a reprogramação das TAM também impediu as células cancerígenas de deixar o tumor primário. Isto significa que esta abordagem pode também impedir a metastização. Verificou-se ainda que a reeducação do tumor pode aumentar a eficácia antitumoral de determinadas imunoterapias contra o cancro, algumas das quais já se encontram aprovadas.
 

Apesar de os resultados serem bastante prometedores, na opinião dos investigadores são necessários mais estudos para traduzir estes achados em terapias, especialmente porque ainda não existe uma forma de bloquear seletivamente as Let-7 microARN nos TAM.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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