Recuperação de memórias é mais rápida do que se pensava

Estudo publicado no “Journal of Neuroscience”

11 janeiro 2016
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A recuperação de memórias de eventos passados pode ocorrer mais rápido do que anteriormente se pensava e é possível interferir no processo, sugere um estudo publicado no “Journal of Neuroscience”.
 

Acreditava-se que o processo de recuperação da memória episódica, experiências pessoais que necessitam de revisitar a informação sensorial recebida no passado, era um processo relativamente lento no cérebro, levando cerca de meio segundo.
 

Contudo, através da utilização de eletroencefalografia, que monitoriza a atividade neural com uma resolução temporal elevada, os investigadores da Universidade de Konstanz, na Alemanha e da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, demonstraram que a recuperação episódica começa com uma rápida ativação de áreas cerebrais sensoriais.
 

Os resultados fornecem a primeira evidência neural desta ativação sensorial precoce, demonstrando que demora entre 0,1 a 0,2 segundos para que um evento comece a ser recordado. O estudo apurou também que a ativação inicial das áreas cerebrais sensoriais é casualmente relevante para a recordação consciente.
 

O estudo, que inclui duas experiências independentes com participantes humanos, também apurou que é possível interferir com a recuperação da memória através da aplicação de estimulação magnética transcraniana repetitiva de modo a alterar a função cerebral.
 

“As memórias semânticas, como saber que Paris é a capital da França, não estão vinculadas a nenhum momento ou lugar específico. Raramente nos lembramos como ou onde aprendemos esta informação”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Simon Hanslmayr.
 

Contudo, o investigador refere que as memórias episódicas são eventos únicos com referências no espaço e tempo. Pensava-se que necessitavam de uma procura no hipocampo, e por isso demoravam algum tempo. No entanto, estes resultados agora obtidos desafiam essa crença e demonstram que há uma resposta muito mais rápida.
 

De acordo com um outro autor do estudo, Gerd Waldhauser, o facto de se saber que o funcionamento da memória episódica depende da rápida reativação da informação sensorial, e saber que se pode interferir com esse processo, melhora de facto a compreensão de como a memória funciona.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

 

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