Recuperação de lesões medulares: estudo foi premiado

Prémio da Santa Casa da Misericórdia

23 fevereiro 2016
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Um trabalho inovador sobre a recuperação de lesões medulares realizado por investigadores do Porto venceu o Prémio Albino Aroso da Santa Casa da Misericórdia.


A investigadora Ana Paula Pêgo do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S) referiu à agência Lusa que o que o grupo de investigação propõe é "uma nova estratégia terapêutica que combina duas terapias regenerativas axonais complementares com um programa de reabilitação".


O projeto, desenvolvido por profissionais do i3S e do Centro de Reabilitação do Norte (CRN), inclui três áreas de estudo distintas – a biologia básica da recuperação das células nervosas, os biomateriais que servirão de suporte à regeneração (com agentes terapêuticos) e as técnicas terapêuticas de reabilitação (fisioterapia).

 

De acordo com Ana Pêgo, responsável pela equipa que vai desenvolver os biomateriais utilizados na investigação, "apesar dos enormes avanços que se têm feito isoladamente nas três áreas que estão na base do projeto, não existem muitas abordagens que integrem as três frentes em simultâneo, sendo este o ponto forte" desta proposta.


Uma das outras coordenadoras do projeto, Mónica Sousa, referiu que "quando há uma lesão na medula, os axónios (parte do neurónio responsável pela condução dos impulsos elétricos – informação – que partem do corpo celular até outro local mais distante, como um músculo ou outro neurónio) são interrompidos e o caminho de transmissão da informação também".


Para reverter esse processo, os investigadores vão desenvolver materiais que podem restabelecer esse caminho e guiar novamente o axónio de volta ao seu alvo, para além de manipularem a entrega local do medicamento selecionado para tratamento, aplicado através de um hidrogel, outro dos objetivos da investigação.


O que se pretende é encontrar "uma droga ou drogas que já passaram uma série de critérios de validação para utilização em outros fins e verificar a sua capacidade de favorecer o crescimento e a regeneração axonal in vivo”, acrescenta Mónica Sousa.
 

A equipa da fisiatra Maria Cunha, do Centro de Reabilitação do Norte (CRN), vai ajudar a desenhar protocolos de fisioterapia adaptados que possam ser aplicados em ratos, semelhantes àqueles que se aplicam a doentes com lesões medulares, de forma a compreender se, para além drogas, esses protocolos podem ter um impacto positivo na regeneração dos axónios.

 

Segundo as investigadoras, estima-se que há uma incidência de 30 casos de lesão na espinal medula por ano em cada um milhão de habitantes e as sequelas tendem a prevalecer em cerca de 500 dos afetados, devido à inexistência de tratamentos efetivos que permitam recuperar de forma eficaz.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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