Reconstruídas vaginas de pacientes com Síndrome de Mayer-Von Rokitansky-Kuster-Hauser

Cirurgias explicadas pela especialista

03 junho 2007
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Pela primeira vez na história da medicina, uma médica italiana reconstruiu o canal do aparelho reprodutor de duas mulheres -nascidas com uma rara deformação congénita - usando células delas próprias para desenvolver tecido vaginal em laboratório.
 

 

Cinzia Marchese, do hospital Policlínico Umberto Primo, de Roma, explicou à imprensa, na semana passada, que a primeira das pacientes, de 28 anos, foi submetida à cirurgia há um ano e tem agora uma vagina perfeitamente normal. O trabalho foi publicado recentemente na revista “Human Reproduction”.
 

A segunda operação foi realizada na semana passada a uma rapariga de 17 anos, e os primeiros sinais são de que as células retiradas por biopsia do local onde deveria estar a vagina vão crescer e gerar mucosas.
 

 

As duas mulheres sofriam da chamada Síndrome de Mayer-Von Rokitansky-Kuster-Hauser (MRKHS) que afecta um a cada quatro a cinco mil bebés do sexo feminino.
 

 

As raparigas com essa síndrome nascem sem vagina, embora normalmente possuam útero, ovários e órgãos externos secundários, como seios, normais. Não podem, no entanto, ter relações sexuais.
 

 

"O que fazemos é tirar uma pequena biopsia de 0,5 centímetro do lugar onde a vagina deveria estar", explicou Marchese. É então usada uma enzima que se integra no tecido e permite que as células imaturas - as células-estaminais – criem uma nova mucosa.
 

 

Foram necessários 15 dias para que se obtivesse uma camada grossa o suficiente para ser implantada nas pacientes, segundo Marchese, 47 anos, professora de Patologia Clínica e Biotecnologia.
 

 

Ao longo da sua carreira de investigação, a médica tem se dedicado ao estudo de células-estaminais para construção de camadas de pele em laboratório, fornecendo enxertos cutâneos a vítimas de queimaduras, na Escola de Medicina de Harvard, com o pioneiro da técnica, Howard Green.
 

"Quando voltei à Itália modifiquei esta técnica para o tecido da mucosa vaginal", disse a especialista, acrescentando que o sucesso da técnica pode ser uma boa notícia para mulheres com cancro ou outras doenças na vagina.
 

 

MNI- Médicos Na Internet

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