Reconstrução de pele, vasos e orgãos humanos

Cientistas japoneses desenvolveram materiais de suporte que poderão permitir construir melhor pele artificial, assim como vasos sanguíneos e, até, orgãos vitais.

15 agosto 2000
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A investigação em bioengenharia tem vindo a permitir o desenvolvimento de materiais que nos deixam antever a capacidade de reconstruir orgãos humanos. Cientistas japoneses desenvolveram materiais de suporte que poderão permitir construir melhor pele artificial, assim como vasos sanguíneos e, até, orgãos vitais.
 

 

A pele artificial já está à disposição dos doentes, e já se desenvolveram válvulas cardíacas, além de tecidos ósseos e hepáticos (do fígado).
 

 

O novo material desenvolvido na Universidade de Tóquio poderá oferecer uma melhor maneira de construir componentes do corpo ao funcionar como uma estrutura tridimensional na qual as células crescem e se organizam na forma final desejada. Esta estrutura tridimensional artificial de suporte é depois degrada deixando apenas as células humanas.
 

 

Já existiam diversos materiais deste tipo, dispersos por laboratórios um pouco por todo o mundo. A novidade neste método agora desenvolvido relaciona-se com o modo como os materiais foram misturados.
 

 

O grupo japonês utilizou uma mistura de um polímero natural- o colagénio- com um sintético. A desvantagem do colagénio é o de ser fraco e do polímero artificial é o de que as células não crescem sobre ele. O que tinha sido obtido até agora com a mistura destes polímeros era, no fundo, uma malha sintética revestida de colagénio, o que restringia o crescimento das células às regiões revestidas de colagénio.
 

 

O que os japoneses se lembraram de fazer foi combinar o polímero artificial com uma esponja de colagénio de modo a que pequenas porções desta esponja ocupem os buracos da malha sintética, em vez de simplesmente mergulharem a dita malha num gel de colagénio. Isto permite que as células tenham uma maior superfície de crescimento.
 

 

Esta mistura de materias é mais forte do que as anteriores e é funcionante, permitindo o crescimento rápido de células interligadas de modo coeso em poucos dias, altura em que se verifica o desaparecimento do material semisintético de suporte.
 

 

Apesar do entusiasmo gerado pela descoberta, os cientistas advertem que falta ainda testar este novo método in vivo (dentro do organismo humano). Muitas vezes as coisas funcionam em placas de cultura de células mas não funcionam in vivo por diversas razões como a toxicidade dos materiais. Mas há esperança de que possamos vir a reconstruir orgãos danificados ou doentes.

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