Recidiva do cancro associada ao sistema imunitário

Estudo publicado na revista “Cancer Immunology Research”

19 outubro 2017
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As células cancerígenas que sobrevivem ao tratamento contra o cancro utilizam o sistema imunitário para despertarem e impulsionarem o seu crescimento, apontou um novo estudo.
 
O estudo conduzido por uma equipa de investigadores do Instituto de Investigação do Cancro, em Londres, outras instituições de Leeds e Surrey, Inglaterra, e ainda dos EUA, revelou pistas sobre a forma como o sistema imunitário perde a sua capacidade para controlar o cancro, e como é que poucas células cancerígenas se podem tornar fatais após um longo período de dormência.
 
Mas, no entanto, há luz no fundo do túnel, descobriram os investigadores. O estudo revelou também que a imunoterapia poderá ser uma forma eficaz de evitar a recidiva, através da recuperação da resposta imunitária do organismo.
 
Para o estudo, os investigadores observaram a resposta imunitária em ratinhos que tinham recebido quimioterapia e cujo cancro se encontrava dormente. Após um longo período alguns dos ratinhos sofreram recidivas locais agressivas, apresentado a situação clínica de muitos tipos de tumor.
 
Após terem conduzido vários ensaios, os investigadores concluíram que a recidiva se devia à “subversão” de dois elementos fundamentais do sistema imunitário: as células “natural-killer” (NK) e um químico conhecido como necrose tumoral-alfa (TNF-Alfa).
 
A equipa demonstrou assim que após o tratamento, as células cancerígenas resistentes tinham subvertido o sinal químico TNF-Alfa, fazendo com que passasse de agente antitumoral e de suporte imunitário a fator de crescimento cancerígeno.
 
Foi também descoberto o mecanismo que faz enfraquecer a capacidade de patrulhamento, tanto das células T como das NK. 
 
Os cientistas observaram que as células cancerígenas resistentes se encontram cobertas por uma quantidade elevada de uma molécula denominada PD-L1, a qual por seu turno interage com outra molécula conhecida como PD-1 nas células imunitárias, instruindo as células T para não as atacarem.
 
Seguidamente, a equipa administrou um inibidor da PD-1 ou do TNF-Alfa e observou que este tratamento fez atrasar ou mesmo evitar a recidiva do cancro nos ratinhos. 
 
“Este fascinante novo estudo ajuda a explicar por que razão o sistema imunitário de um paciente é por vezes eficaz contra as células cancerígenas, enquanto noutras alturas não o é”, comentou Alan Melcher, coautor do estudo.
 
“Também demonstra que há muito mais a aprender sobre a natureza das células cancerígenas que se mantêm dormentes como forma de resistirem aos efeitos exterminadores dos tratamentos para o cancro. Devem ocorrer alterações nessas células que as tornam melhores a manipular o sistema imunitário – e perceber que isso pode levar a novas opções de tratamento para evitar recidivas”, concluiu.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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