Rearranjo dos cromossomas pode ser benéfico

Estudo conduzido por cientistas portugueses

27 agosto 2013
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Os rearranjos dos cromossomas, existentes em várias situações (como é o caso das células cancerígenas), podem ser vantajosos para as células que os possuem, dependendo do ambiente ao qual estão expostas, adianta a agência Lusa.

 

Esta foi a principal conclusão de um estudo conduzido por investigadores do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) e publicado na revista “Nature Communications”. Liderado por Miguel Godinho Ferreira, em colaboração com Isabel Gordo e Ana Teresa Avelar, o estudo refere que "alguns rearranjos cromossómicos são benéficos enquanto outros são prejudiciais" e, quando se altera o ambiente de crescimento, "os rearranjos aparentemente prejudiciais podiam tornar-se benéficos".

 

O investigador explica que "vimos que basta alterar as posições dos cromossomas de um lado para o outro, sem alterar mais nada, que algumas células começam a dividir-se mais rapidamente, outras a dividir-se mais lentamente, e, só pela mudança dos cromossomas, algumas têm vantagens e outras desvantagens, [um trabalho que] o que nunca tinha sido feito".

 

Existem mudanças que se vão operando nos nossos cromossomas ao longo da vida, sem que nos apercebamos das mesmas. No entanto, outras poderão ser cruciais sobre o cancro ou sobre a fertilidade, por exemplo. "Estas mudanças são totalmente dependentes do ambiente em que estão os cromossomas, ou seja, pode ser que esta arquitetura dos cromossomas seja [negativa] neste ambiente, mas se mudarmos as condições, passa a ser benéfica".

 

Miguel Godinho Ferreira esclarece que “podemos agora inferir como as células cancerígenas, com rearranjos cromossómicos, conseguem adaptar-se e crescer mais depressa do que as células normais, como pessoas com diferentes cromossomas podem ter problemas de infertilidade sem se aperceberem, e como estes rearranjos cromossómicos podem ser mantidos na população sem serem eliminados".

 

Este estudo torna-se também muito interessante quando considerado pela perspetiva da evolução das espécies, pois estes rearranjos cromossómicos "podem ter vantagens para um organismo que, no meio dos outros, pode começar a proliferar, a ter mais descendência", oferecendo-lhe uma vantagem, e no futuro "dar origem a uma nova espécie".

 

Os investigadores estudaram como a variabilidade dos cromossomas influencia a viabilidade das células e a sua capacidade para se dividirem, tanto as que vão dar origem à descendência como aquelas dentro do mesmo organismo. Eventuais problemas na divisão celular poderão originar a doenças como o cancro. "Há mutações destes rearranjos que vêm connosco, dos nossos pais, podemos ou não saber que existem, mas há mutações que acontecem ao longo da nossa vida e estas são aquelas que pensamos estão associadas ao cancro", explicou Miguel Godinho Ferreira.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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