Reactor nuclear usado para combater cancro

Teste experimental realizado na Holanda

18 outubro 2004
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O reactor nuclear da cidade de Petten (Holanda) foi usado pela primeira vez num tratamento experimental contra o cancro que tem por objectivo destruir as células cancerosas sem danificar as sãs, disse às agências internacionais um investigador. O tratamento baseia-se num elemento químico inócuo para a saúde - o isótopo boro 10 - que, ao interagir com neutrões de baixa intensidade energética, provoca uma reacção nuclear dentro das células cancerosas, mas não ataca as sãs. «A divisão em dois (lítio e hélio) do boro 10, provocada pelos neutrões, pode comparar-se com uma pequena bomba nuclear que explode na célula e trava a sua proliferação», explicou o médico Wolfgang Sauerwein num seminário sobre as tendências de investigação do cancro realizado na Universidade Livre (VU) de Amsterdão. Isso acontece, precisou, porque o boro, que se introduz no corpo do paciente mediante um fármaco, só adere às células doentes, sendo rejeitado pelas sãs. O ensaio fez parte de um projecto subsidiado pela Direcção Geral de Investigação da Comissão Europeia, no qual participam há oito anos, entre outros, o Centro Médico da VU e a Universidade de Essen (Alemanha). A vantagem desta técnica em relação às congéneres é que a radiação propriamente dita se produz no interior da célula doente, enquanto as sãs, ao contrário do que sucede na radiação clássica, permanecem intactas, segundo o cientista alemão. Além disso, o tratamento dura entre dois e quatro dias, muito menos do que os tratamentos tradicionais, que poderão prolongar-se por 30 dias. Porém, como os hospitais não dispõem de aceleradores de neutrões, o primeiro paciente tratado com este ensaio clínico, um homem de cerca de 70 anos com metástases de melanoma no cérebro, teve de ser deslocado do hospital de Essen, onde está internado, até ao reactor nuclear de Petten para o tratamento. O reactor tem uma sala, «o mais parecida possível com um quarto de hospital», onde o paciente recebe os neutrões de baixa intensidade, referiu o investigador. Os cientistas consideram ser demasiado cedo para falar da eficácia do tratamento e das suas consequências sobre a qualidade de vida do paciente, que, por agora, não sofre efeitos secundários como náuseas ou queimaduras devidas à radiação. Fonte: Lusa

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