Reações anafiláticas retardadas: como prevê-las?

Estudo publicado nos “Annals of Allergy, Asthma & Immunology”

25 junho 2015
  |  Partilhar:

As crianças tendem a ter uma reação anafilática repetida e retardada da mesma causa alérgica, dependendo da gravidade da reação inicial, sugere um estudo publicado nos “Annals of Allergy, Asthma & Immunology”.
 

A anafilaxia é uma reação alérgica grave, de início repentino e pode resultar em morte. Algumas crianças estão em risco de reações anafiláticas retardadas (bifásicas). As reações anafiláticas retardadas ocorrem quando os sintomas iniciais da reação alérgica desaparecem, mas retornam, horas ou dias mais tarde, sem exposição à substância inicial que causou a reação.
 

Neste estudo os investigadores do Instituto de Investigação CHEO, no Canadá, decidiram analisar a frequência e severidade das reações alérgicas, tendo para tal analisado o registo clínico de 484 pacientes. Os investigadores constataram que a incidência das reações bifásicas ocorreu em 15% da população em estudo. Em dois terços dos casos a reação ocorreu seis horas após o início da reação inicial. Verificou-se que pelo menos metade das reações bifásicas foram graves e necessitaram de tratamento com epinefrina.
 

O estudo apurou que existia uma maior propensão de as reações bifásicas ocorrerem no caso de a reação inicial ter sido severa ou não ter sido tratada com epinefrina. Adicionalmente, a anafilaxia tendeu a ser mais severa quando a administração da epinefrina foi atrasada.
 

Assim, com base nestes resultados, Waleed Alqurashi, do CHEO, aconselha os pacientes, pais, cuidadores e professores, a administrar epinefrina imediatamente após o aparecimento dos primeiros sintomas de uma reação alérgica para que a reação anafilática não se agrave.
 

Os investigadores identificaram cinco fatores independentes que preveem o risco da ocorrência de reações bifásicas em crianças que incluíram: atraso de 90 minutos na chegada às urgências ou atraso na administração da epinefrina; ritmo cardíaco descontrolado na triagem; tratamento inicial da alergia com mais de uma dose de epinefrina; dificuldade respiratória que exige a administração de salbutamol nas urgências, e crianças entre os 6 e os 9 anos de idade.
 

“É evidente que as crianças com reações iniciais graves poderão beneficiar de períodos longos de observação nas urgências. Por outro lado, as crianças com reações alérgicas moderadas, que não apresentem nenhum dos fatores que preveem uma reação bifásica podem ir mais cedo para casa”, conclui o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.