Reação da mãe ao stress do bebé prevê ligação afetiva?

Estudo publicado na revista “Child Development”

24 agosto 2017
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Um novo estudo apurou que a forma como a mãe reage a situações de stress ou angústia por parte do bebé poderá ajudar a prever a relação afetiva estabelecida entre mãe e filho no futuro.
 
Conduzido por uma equipa de investigadores da Universidade de Missouri, Universidade da Carolina do Norte e Universidade do Estado da Pensilvânia, todas nos EUA, o estudo procurou identificar fatores que possam prever a resistência e evitamento por parte do bebé, centrando-se na resposta fisiológica e emocional materna a situações de angústia e stress do filho.
 
A segurança do vínculo que o bebé estabelece com a mãe é fundamental para o seu desenvolvimento. 
 
Embora a maioria dos bebés estabeleça vínculos afetivos seguros com a mãe, cerca de 40% dos bebés estabelece um vínculo inseguro, com o desenvolvimento de vínculos de evitamento inseguros, ou seja, em que pouco expressam emoções negativas e evitam contacto com a mãe quando se sentem inseguros ou receosos.
 
Para o estudo, a equipa recrutou um grupo heterogéneo, financeiramente e etnicamente, de 127 mães e respetivos bebés. 
 
Os investigadores analisaram a arritmia sinusal respiratória (ASR) ou a variação nos batimentos cardíacos durante o ciclo respiratório das mães quando estas interagiam com os bebés aos seis meses de idade, em situações de angústia ou stress. 
 
As descidas na ASR face a um desafio como um bebé a chorar refletem uma regulação fisiológica melhor que suporta ativamente o lidar com o desafio. A forma como as mães expressavam emoções quando interagiam com os seus bebés em stress foi também avaliada. 
 
Quando os bebés tinham 12 meses de idade, os investigadores avaliaram os vínculos dos bebés às mães, através do procedimento "situação estranha”, em que os bebés são separados e reunidos com as mães sucessivas vezes. 
 
Ao serem reunidos com as mães, os bebés inseguros-evitantes ignoram as mães, enquanto os inseguros-resistentes ficam muito angustiados e procuram e resistem às mães simultaneamente. 
 
Foi verificado que as mães com menor descida na ASR quando reagiam aos bebés chorosos aos seis meses de idade apresentavam maior propensão para terem bebés evitantes aos 12 meses. Os bebés verão estas mães como sendo menos eficazes como fonte de conforto e procurarão menos a mãe quando se sentem angustiados ou receosos. 
 
As mães emocionalmente mais neutras na mesma situação apresentavam uma maior tendência a terem um bebé resistente aos 12 meses. Isto sugere que uma resposta emocionalmente neutra da mãe poderá fazer com que o bebé fique ainda em maior stress. 
 
“A identificação de fatores que contribuam para o evitamento ou resistência é importante para desenvolver intervenções eficazes que promovam a segurança no vínculo dos bebés e, por seu turno, o desenvolvimento positivo da criança”, comentou Ashley Groh, a investigadora que liderou este estudo.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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