Reação ao stress mais importante que a frequência

Estudo publicado na revista “Psychosomatic Medicine”

01 março 2016
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A forma como se reage ao stress é mais importante para a saúde do que frequência com que se é submetido a este tipo de evento, sugere um estudo publicado na revista “Psychosomatic Medicine”.
 

Estudos anteriores já tinham sugerido que o stress e as emoções negativas podem aumentar o risco de doença cardíaca, contudo as razões ainda não são bem conhecidas. Uma via potencialmente envolvida na associação entre o stress e uma doença cardíaca futura é a desregulação do sistema nervoso autónomo.
 

Neste estudo, os investigadores da Universidade da Columbia, nos EUA, decidiram averiguar se o stress diário e a variabilidade da frequência cardíaca, uma medição da desregulação do sistema nervoso autónomo, estão associadas. A variabilidade da frequência cardíaca é a variação do intervalo de tempo entre batimentos cardíacos consecutivos.
 

“Uma maior variabilidade da frequência cardíaca é melhor para a saúde uma vez que reflete a capacidade de responder a desafios. Os indivíduos com uma baixa variabilidade da frequência cardíaca apresentam um maior risco de doença cardiovascular e morte prematura”, explicou uma das autoras do estudo, Nancy L. Sin.
 

A depressão e os eventos stressantes são conhecidos por serem prejudiciais para a saúde, mas tem sido dada pouca atenção às consequências das frustrações e aborrecimentos da vida quotidiana na saúde. Poucos foram os estudos que tinham abordado a relação entre a variabilidade da frequência cardíaca e os eventos stressantes diários.
 

No estudo, os investigadores analisaram os dados de 909 participantes, incluindo entrevistas telefónicas diárias ao longo de oito dias consecutivos e resultados de um eletrocardiograma.
 

Durante as entrevistas telefónicas diárias, os participantes foram solicitados a relatar e a classificar os eventos stressantes a que tinham sido submetidos naquele dia. Foram também questionados sobre as emoções negativas, nomeadamente irritação, tristeza e nervosismo. Em média, os participantes relataram ter pelo menos uma experiência stressante em 42% dos dias de entrevista. Estas experiências foram geralmente classificadas como um pouco stressantes.
 

O estudo apurou que os participantes que relataram ser submetidos a vários eventos stressantes não eram necessariamente aqueles que apresentavam menor variabilidade da frequência cardíaca. Independentemente da quantidade ou intensidade dos eventos stressantes, o que teve relevância foi o modo como os eventos eram encarados. Quem os sentiu de uma forma mais stressante ou teve um pico de emoções negativas apresentou uma menor variabilidade da frequência cardíaca, o que se traduz num maior risco de doenças cardíacas.
 

"Estes resultados significam que as perceções de um indivíduo e as reações emocionais a eventos stressantes são mais importantes que a exposição ao stress por si só. Isto reforça a evidência de que pequenos aborrecimentos podem influenciar a saúde. Esperamos que estes resultados ajudem ao desenvolvimento de intervenções capazes de melhorar o bem-estar da vida quotidiana e a promoção de uma saúde melhor”, concluiu a investigadora.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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