Reação ao stress dita estado de saúde anos mais tarde

Estudo publicado nos “Annals of Behavioral Medicine”

08 novembro 2012
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Contrariamente à crença popular, o stress não causa problemas de saúde. Na verdade é a reação das pessoas ao stress que determina o estado de saúde anos mais tarde, sugere um estudo publicado “Annals of Behavioral Medicine”.
 

Neste estudo os investigadores da Penn State, nos EUA, decidiram investigar as relações que existem entre os eventos do stress diário, a reação das pessoas a esse eventos, bem como o seu estado de saúde e bem-estar 10 anos mais tarde.
 

Ao longo de oito noites consecutivas, os investigadores questionaram 2.000 indivíduos sobre os eventos ocorridos nas 24 horas anteriores. Adicionalmente os participantes foram também questionados sobre: a forma como ocupavam o seu tempo, o seu humor, sintomas de saúde, produtividade e situações de stress a que tinham sido submetidos, nomeadamente se ficarem presos no trânsito ou se tinham discutido com alguém.
 

Os autores do estudo também recolheram amostras de saliva dos participantes em quatro momentos distintos, ao longo de quatro dos oito dias de estudo. A partir destas amostras foi determinado a quantidade da hormona do stress, o cortisol. Posteriormente esta informação foi correlacionada com os resultados dos questionários, estado de saúde crónico, personalidade dos participantes bem como a suas redes de contactos. Este tipo de associação foi feito em 1995 e novamente em 2005.
 

O estudo apurou que os indivíduos que ficavam perturbados com o stress diário e continuam a debruçar-se sobre as situações stressantes, mesmo após estas já terem ocorrido, apresentavam um maior risco de sofrer de problemas crónicos, especialmente dor associada à artrite ou problemas cardiovasculares, 10 anos mais tarde.
 

Na opinião de um dos autores do estudo, David Almeida, existem pessoas que têm mais tendência a viverem momentos stressantes nas suas vidas. Os jovens, estão, por exemplo, mais sujeitos ao stress que os idosos, ou as pessoas com maiores capacidades cognitivas sentem mais stress que os indivíduos com menores capacidades. “O que realmente é interessante é a forma como estas pessoas lidam com o stress”, referiu o investigador em comunicado de imprensa.

 

Os autores do estudo verificaram ainda que as pessoas com 65 ou mais anos de idade tendem a ser mais reativas do que os jovens, pois não estão tão expostas ao stress nesta fase da vida e consequentemente não estão habituadas a lidar com ele. Foi também constatado que em comparação com os indivíduos com capacidades cognitivas e nível de educação mais elevado, as que tinham menores capacidades cognitivas e nível de educação baixo eram mais reativas ao stress, pois tinham menos controlo sobre os eventos stressantes.

 

Apesar do stress poder ser indicador de uma vida com dificuldades, pode simplesmente significar que a pessoa está envolvida em vária atividades e experiências. “Se este for o caso, a resposta não está em diminuir a exposição aos eventos stressantes, mas sim tentar encontrar uma forma de os controlar melhor”, conclui David Almeida.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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