Ratos são os primeiros a produzir esperma de outras espécies

Técnica pode ser aplicada a uma grande variedade de animais

25 agosto 2002
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Cientistas norte-americanos e alemães conseguiram, pela primeira vez, que ratos produzissem esperma funcional de outras espécies, através do enxerto de tecido dos testículos de outros mamíferos, indica um estudo publicado na revista Nature.
 

 

Depois de enxertados com tecidos do tamanho da cabeça de um alfinete, os ratos produziram gâmetas funcionais, primeiro de outros ratos e, depois, de porcos e de bodes, uma experiência que pode ter implicações importantes na preservação das linhagens de espermatozóides de espécies em vias de extinção.
 

 

"Este é o primeiro relato de uma espermatogénese bem sucedida a partir de tecidos enxertados de outras espécies", afirmou Ina Dobrinski, professor assistente da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade da Pensilvânia.
 

 

A espermatogénese é um processo complexo que gera espermatozóides em número virtualmente ilimitado durante a idade adulta dos machos.
 

 

"A produção de esperma saudável de três espécies diferentes de mamíferos indica que o enxerto de tecido testicular pode ser aplicado a uma grande variedade de espécies", acrescentou.
 

 

Trabalho pioneiro
 

 

O trabalho conseguiu, também pela primeira vez, obter esperma funcional a partir de tecido reprodutivo imaturo, o que significa que o esperma pode ser obtido a partir de indivíduos que ainda não alcançaram a maturidade sexual.
 

 

Os ratos com enxertos de tecido testicular podem ajudar a estudar os efeitos de medicamentos (incluindo um potencial contraceptivo masculino) ou fornecer aos cientistas um modelo válido para compreender melhor as funções dos testículos.
 

 

A equipa de Dobrinski enxertou cerca de um milímetro cúbico de tecido de testículos de ratos, porcos e bodes recém-nascidos nas costas de ratos.
 

 

Como resultado, desenvolveram-se oito testículos em miniatura, tendo a fertilização in vitro revelado que o esperma produzido por estes órgãos era funcional.
 

 

"Pelo menos 60 por cento dos enxertos desenvolveram-se em tecido testicular sob a pele e produziram a mesma quantidade de esperma que a registada nos animais doadores", explicou Dobrinski.
 

 

Enxertos de tecido testicular intra-espécies já tinham sido tentados anteriormente mas sem sucesso. Segundo Dobrinski, as costas dos ratos podem apresentar a temperatura ideal e os vasos sanguíneos adequados para permitir o crescimento de testículos saudáveis.
 

 

Além da Universidade da Pensilvânia, participaram no estudo investigadores da Universidade de Munique (Alemanha).
 

 

Fonte: Lusa

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