Ratos produzem espermatozóides de macacos

Nova descoberta abre caminho a técnicas reprodutivas

10 fevereiro 2004
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Já pensou que um dia destes os espermatozóides humanos possam ser produzidos no organismo de um porco? Pode parecer um futuro longínquo, mas, na verdade, não o é.
 

 

 

 

Um grupo de cientistas americanos revelou que conseguiram fazer com que ratos produzissem espermatozóides de macacos por meio do transplante de tecidos dos testículos dos animais. Os investigadores das Universidades da Pensilvânia e da Califórnia afirmam que a técnica utilizada na experiência pode, um dia, ajudar animais ameaçados de extinção.
 

 

Os resultados também abrem caminho para a possível produção de espermatozóides humanos nos ratos, embora os cientistas concordem que uma experiência deste tipo seria muito polémica.
 

 

Os cientistas publicaram os estudos sobre a experiência na revista científica Biologia de Reprodução. Em 2002, os mesmos investigadores produziram espermatozóides de cabra e de porco em ratos. Foi a primeira vez que espermatozóides foram produzidos fora do animal original.
 

 

A nova experiência envolveu o transplante de uma pequena quantidade de tecido do testículo de um macaco reso (da Índia) sob a pele de um rato de laboratório. A equipa, liderada por Ina Dobrinski, da Universidade da Pensilvânia, transplantou o tecido num rato com um sistema imunitário deficiente, para que não houvesse rejeição. «Começamos esses testes com testículos de animais primitivos depois de termos obtido sucesso com animais domésticos», disse Dobrinski.
 

 

Depois de sete meses, o enxerto de tecidos de testículo nas costas do rato começou a produzir espermatozóides. Segundo Dobrinski, o teste funcionou porque o rato foi castrado. O grupo da Pensilvânia vai agora tentar o mesmo procedimento com gatos domésticos. Esta experiência serve de teste para, no futuro, utilizar a técnica com animais em perigo de extinção e que raramente sobrevivem em cativeiro até a idade reprodutiva.
 

 

Em teoria, enxertos de tecidos de testículos humanos colocados em ratos poderiam produzir espermatozóides. A técnica também pode permitir uma maneira de testar toxinas e fármacos contraceptivos no desenvolvimento de espermatozóides.
 

 

Segundo Dobrinski, os rapazes na puberdade e que fazem tratamento contra o cancro – que pode deixá-los estéreis – podem vir a ser altamente beneficiados com as descobertas. Tudo porque, os tecidos dos seus testículos poderiam ser removidos antes do tratamento e colocados em ratos para produção de espermatozóides. Teoricamente, isso permitiria que um rapaz fosse pai mesmo antes de chegar à puberdade.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

 

Paula Pedro Martins
 

 

Jornalista
 

 

MNI-Médicos Na Internet
 

 

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