Ratinhos ajudam a entender toxicodependência humana

Exposição à droga e características genéticas levam a doença crónica

17 agosto 2004
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O consumo de cocaína pode induzir progressivamente um comportamento toxicodependente num número limitado mas considerável de ratinhos, tal como acontece nas pessoas, indicam dois estudos hoje divulgados.Os resultados obtidos, publicados na revista Science, «deverão permitir desvendar os mistérios da biologia da toxicodependência e melhorar o seu tratamento», assinalam investigadores franceses e britânicos responsáveis por estes trabalhos.De acordo com um dos estudos, de uma equipa do Instituto Nacional Francês da Investigação e da Saúde (INSERM), 17 por cento dos ratinhos testados tornaram-se «dependentes» após dois ou três meses de consumo de cocaína.Este grupo de roedores acabou por não conseguir limitar o consumo de droga e mostrou-se extraordinariamente motivado pela sua procura, refere esta equipa de investigadores, coordenada por Pier Vincenzo Piazza, director da unidade do INSERM para a Fisiopatologia do Comportamento.Os ratinhos continuaram a consumir droga apesar da tomada da cocaína ser associada a um castigo, como choques nas patas - observou, por seu lado, o estudo britânico, dirigido por Louk Vanderschuren, da Universidade de Cambridge.Este comportamento só ocorre numa proporção relativamente pequena de consumidores humanos (15-20 por cento) e assume as características de uma doença crónica, já que a reincidência, mesmo após longos períodos de privação, se verifica em 90 por cento dos casos.«A toxicodependência dos homens e dos roedores revela semelhanças espantosas», afirmam os investigadores. «A descoberta de um comportamento de droga neste mamífero modelo sugere fortemente uma doença do cérebro que resultaria não só de uma exposição prolongada à droga, mas também de uma forte vulnerabilidade individual (genética)».A inexistência de um modelo entre os animais estava a limitar a compreensão do fenómeno da dependência. Antes pensava-se que embora os animais pudessem consumir voluntariamente a maioria das drogas, a verdadeira toxicodependência era uma especificidade humana.Fonte: Lusa

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