Rastreios ao cancro com assimetrias regionais e falta de dinheiro e de pessoal

Conclusões de relatório da Direção-Geral de Saúde

22 maio 2015
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Os rastreios oncológicos de base populacional apresentam significativas assimetrias regionais e as administrações regionais de saúde (ARS) sentem dificuldades em manter ou implementar estes programas devido à falta de pessoal e de dinheiro, revela um relatório da Direção-Geral da Saúde (DGS) noticiado pela agência Lusa.
 
“Existem muitas dificuldades na manutenção, alargamento e implementação de novos rastreios por parte das ARS que se prendem com motivos organizacionais, logísticos e de falta de recursos humanos e financeiros”, conclui o relatório da “Avaliação e Monitorização dos Rastreios Oncológicos Organizados de Base Populacional” referente a 2014, ao qual a Lusa teve acesso através do sítio na Internet da DGS.
 
De acordo com o documento, a situação é “particularmente crítica no caso dos rastreios do cancro do colo do útero e do cancro do cólon e reto”.
 
O Programa Nacional para as Doenças Oncológicas tem tentado, junto das ARS, incrementar aqueles tipos de rastreio, “o que se refletiu num aumento de convocatórias enviadas em 2014” aos utentes do Serviço Nacional de Saúde.
 
Contudo, o relatório admite que “esse esforço não se refletiu num aumento proporcional das taxas de rastreio populacional, no caso dos rastreios do cancro do colo do útero, e do cólon e reto, em virtude da diminuição da adesão das populações”.
 
Segundo o relatório da DGS, o rastreio do cancro da mama está implementado em todas as regiões e a taxa de cobertura geográfica nacional é de 72%. Contudo, enquanto Algarve, Alentejo e Centro apresentam 100% de cobertura, no Norte a taxa é de 83% e em Lisboa e Vale do Tejo é de 27%.
 
No caso do cancro do colo do útero, só Lisboa e Vale do Tejo tem ainda rastreio de base populacional implementado, enquanto o Centro, Alentejo e Algarve apresentam coberturas de 100% e o Norte de 38%.
 
Quanto ao rastreio do cancro do cólon e do reto, apenas está implementado na região Centro e na do Alentejo, e de forma parcial, com uma taxa de cobertura de 50% e 25%, respetivamente.
 
Da parte das ARS há interesse em aumentar as coberturas geográficas e populacionais dos rastreios ao cancro, mas “existem inúmeros constrangimentos de ordem financeira e logística e de recursos humanos que impedem a sua concretização”.
 
O relatório recomenda que “a dotação financeira às ARS” para os encargos com os rastreios “deve ser inequívoca e sustentada no tempo” para que não se criem intervalos temporais que paralisem o processo, já que quando é iniciado não deve ser interrompido.
 
É ainda sugerida a contratação de “serviços indispensáveis à prossecução dos programas de rastreio”. Isto é sobretudo urgente nas ARS com mais população já que implicam “procedimentos processuais mais complexos e morosos”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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