Raparigas têm pior saúde mental

Dados do inquérito "Health Behaviour in School-aged Children"

16 março 2016
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As adolescentes europeias têm pior saúde mental do que os rapazes da mesma idade e, embora tenham menos excesso de peso, têm uma maior probabilidade de pensar que são gordas e de fazer dietas, refere um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS).
 
"Há uma clara emergência da desigualdade entre rapazes e raparigas, que começa na adolescência", disse à agência Lusa Gauden Galea, diretor da divisão de Doenças Não Comunicáveis e Promoção da Saúde no escritório da Organização Mundial de Saúde para a Europa, a propósito de um estudo sobre saúde dos adolescentes.
 
O inquérito "Health Behaviour in School-aged Children" (HBSC) da Organização Mundial de Saúde, que contou com a participação de 220 mil adolescentes de 11, 13 e 15 anos de 42 países da Europa e América do Norte, conclui que 80% dos adolescentes estão genericamente satisfeitos com a sua vida. 
 
No entanto, a satisfação com a vida diminui com a idade e aos 13 anos começam a surgir as diferenças entre rapazes e raparigas, encontrando-se estas menos satisfeitas do que eles. Existe também uma diferença na proveniência dos adolescentes: os jovens de famílias mais afluentes têm em geral maior satisfação com a vida.
 
As raparigas relatam ter menos saúde mental do que os rapazes e aos 15 anos, por exemplo, uma em cada cinco adolescentes diz que a sua saúde é regular ou fraca e metade diz ter queixas de saúde pelo menos uma vez por semana.
 
“Embora objetivamente não tenham mais excesso de peso ou obesidade, [as raparigas] estão muito mais preocupadas com a sua aparência, têm muito mais probabilidade de estar insatisfeitas e de entrar em dietas”, referiu Gauden Galea.
 
O inquérito apurou que 22% dos rapazes de 15 anos têm excesso de peso, contra 13% das raparigas, mas 43% das raparigas da mesma idade acha que é demasiado gorda, contra 22% dos rapazes. Um quarto das raparigas de 15 anos diz estar a fazer dieta ou a tomar outras medidas para perder peso. "Isto é um sintoma das pressões sobre as jovens para terem um certo aspeto, uma determinada imagem corporal", referiu o responsável.
 
Gauden Galea acrescentou que a situação está também associada à situação económica da família, sendo a perceção da saúde pior nas famílias mais pobres.
 
Galea defende por isso que os países devem abordar as conclusões deste relatório de uma forma transversal, juntando os ministérios da Saúde, Educação e Segurança Social, para "dar alguma atenção à situação das famílias e populações mais pobres".
 
É necessário "valorizar mais as raparigas", que "precisam de aprender a desenvolver uma boa autoestima, a valorizar a sua vida e a saúde”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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