Radioterapia: como as células imunológicas resistem?

Estudo publicado na revista “Nature Immunology”

27 novembro 2015
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Investigadores americanos descobriram um mecanismo chave através do qual a radioterapia não consegue destruir completamente os tumores. O estudo publicado na revista “Nature Immunology” oferece uma nova solução para promover o sucesso deste tratamento para milhões de pacientes com cancro.
 
Os investigadores da Escola de Medicina de Icahn, nos EUA, descobriram que quando a radioterapia danifica a pele que alberga tumores, existe um tipo específico de células imunitárias conhecidas por células de Langerhans que são ativadas. Estas células são capazes de reparar os danos presentes no ADN causados pela radioterapia, o que faz com que os tumores se tornem resistentes ao tratamento e chegam mesmo a provocar uma resposta imune que faz com que os tumores da pele, como melanoma, resistam aos tratamentos futuros.
 
No estudo, os investigadores mimetizaram o efeito de fármacos imunoterápicos denominados por “inibidores de ponto de verificação do sistema imunológico” para ativar o sistema imunológico a atacar os tumores. Isto conduziu a um bloqueio da capacidade das células de Langerhans em reparar o seu ADN após a radioterapia e consequentemente à sua morte, impedindo o desenvolvimento de uma resposta imunológica que protegesse os tumores da pele.
 
Apesar de o estudo ter sido conduzido em modelos de ratinho para o melanoma e se ter focado na pele, local onde se encontram as células de Langerhans, os investigadores acreditam que o mesmo processo ocorre noutros órgãos. 
 
“Os cancros têm a capacidade de reprimir e mesmo evitar a resposta imune natural do organismo contra os tumores, os novos fármacos imunoterápicos tiram o travão do sistema imunitário, promovendo uma resposta imunológica potente e completa contra o cancro”, revelou, em comunicado de imprensa, uma das coautoras do estudo, Miriam Merad.
 
Um outro autor do estudo, Jeremy Price, defende que a eficácia deste processo pode ser aumentada através da radiação, que ao expor o tumor torna-o um alvo mais fácil para o sistema imunológico. Ao combinar estes tratamentos, a capacidade das células de Langerhans em utilizar o sistema imunitário para proteger os cancros será destruída”, refere o investigador.
 
A radiação ionizante é uma poderosa ferramenta terapêutica que provoca quebras tóxicas no ADN celular. A formação destas quebras desencadeia uma resposta nas células de Langerhans, que estão normalmente dormentes, para impedir novos danos e reparar as quebras.
 
Os investigadores descobriram que quando a pele é danificada pela radiação ionizante, as células de Langerhans viajam para nódulos linfáticos mais próximos para comunicarem com outras células do sistema imunológico e ajudarem a programar uma população de células T “reguladoras" que atenuam o sistema imunológico. Estas células T reguladoras viajam em seguida para o tumor danificado e protegem-no do ataque do sistema imunológico.
 
O estudo apurou ainda que as células de Langerhans são capazes de resistir a doses letais de radiação, porque expressam níveis elevados de uma proteína envolvida na resposta ao stress que orquestra a reparação do ADN após a radioterapia.
 
Os investigadores concluem que qualquer tratamento que impeça que o tumor seja infiltrado por células T reguladoras, como a imunoterapia, vai melhorar os resultados da radioterapia e poderá consequentemente salvar as vidas dos pacientes.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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