Radicais livres poderão combater envelhecimento

Estudo publicado na revista “Cell”

20 maio 2014
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Os radicais livres têm sido considerados como aceleradores do envelhecimento. No entanto, um novo estudo canadiano sugere o contrário, que os radicais livres poderão aumentar a longevidade.
 
Também conhecidos como oxidantes, os radicais livres consistem em átomos ou moléculas nocivas que são produzidas pelo organismo durante o processo de combustão do oxigénio. São formados naturalmente no organismo ou penetram através de fonte externa, como a poluição ou o fumo do tabaco.
 
A interação dos radicais livres com as células, ADN e proteínas é prejudicial, pois pode alterar a estrutura química daqueles elementos. Estudos anteriores indicavam que a exposição constante aos radicais livres, por prolongados períodos de tempo, causava o envelhecimento. No entanto, o presente estudo vem sugerir o contrário.
 
Com base num organismo modelo, o verme nematelminto Caenorhabditis elegans, a equipa de Siegfried Hekimi, autor principal do estudo, do Departamento de Biologia da Universidade McGill, descobriu que os radicais livres podem estimular a apoptose nas células. 
 
A apoptose, também conhecida como morte celular programada, consiste num processo pelo qual as células danificadas se autodestroem de forma a evitarem tornarem-se cancerígenas ou para destruírem vírus que se tenham apoderado das mesmas.
 
Os investigadores apuraram que se os radicais livres estimularem a apoptose de uma determinada forma, as defesas da célula são reforçadas, conduzindo a uma maior longevidade para as mesmas.
 
“As pessoas acham que os radicais livres causam danos e o envelhecimento, mas a tal teoria do envelhecimento é incorreta. Virámos esta teoria do avesso ao provar que a produção de radicais livres aumenta ao longo do envelhecimento já que os radicais livres na realidade combatem, e não causam, o envelhecimento. Com efeito, podemos aumentar a produção de radicais livres no nosso organismo modelo e induzir, assim, uma vida substancialmente mais longa”, esclarece Siegfried Hekimi.
 
Esta descoberta poderá ser assim utilizada em processos de desaceleração do envelhecimento. Ainda segundo o autor principal do estudo, “tendo em consideração que o mecanismo da apoptose tem sido objeto de amplos estudos em seres humanos, devido à sua importância clínica na imunidade e no cancro, já existem muitas ferramentas farmacológicas que manipulam a sinalização da apoptose”.
 
Este processo poderá ser relevante para as doenças neurodegenerativas, já que será mais fácil aumentar a resistência das células do que substituir neurónios.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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