Radiações de telemóveis e televisões podem provocar alterações biológicas

Novos estudos apresentados em Lisboa

29 novembro 2001
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A exposição a campos electromagnéticos gerados por televisões e telemóveis, por exemplo, pode causar alterações biológicas subtis, sem estar provado que provoque qualquer doença, indicam estudos que vão ser hoje apresentados em Lisboa.
 

 

No entanto, investigadores não excluem que estes campos de radiação possam afectar determinados indivíduos em consequência da sua predisposição genética e condicionantes ambientais.
 

 

Os dois estudos, realizados no centro de investigação francês Tecnolab, são hoje apresentados nas VIII Jornadas Portuguesas de Protecção Contra Radiações, que decorrem na Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa.
 

 

"Os trabalhos científicos realizados no Tecnolab há mais de uma década têm por objectivo colocar em evidência os efeitos biológicos dos raios electromagnéticos não ionizantes (de fraca intensidade), a incidência destes na saúde, e procurar soluções para prevenir estes efeitos", explicou Youbicier-Simo, director de investigação em Biologia do centro.
 

 

Um dos estudos analisou em ratos os efeitos a longo prazo da radiação emitida por telemóveis em parâmetros como a concentração de cálcio intracelular e na hormona adrenocorticotrópica (ACTH, sigla em inglês).
 

 

Os investigadores procuraram demonstrar ainda a capacidade de uma solução salina submetida a um tratamento electromagnético para minimizar estes efeitos.
 

 

O estudo concluiu que os ratos expostos à radiação de telemóveis apresentavam níveis "substancialmente mais elevados" das substâncias em causa (o que traduz nomeadamente um aumento do stress) que o grupo de controlo.
 

 

Além disso, os investigadores demonstraram que a solução salina tratada neutralizava os efeitos das radiações.
 

 

Embriões sensíveis
 

 

O outro trabalho da responsabilidade do Tecnolab procurou avaliar a sensibilidade de embriões de galinha expostos a radiações não-ionizantes emitidas pelas estações de retransmissão de sinal dos operadores de telemóveis, visíveis, por exemplo, nas auto-estradas e nos telhados dos prédios.
 

 

A mortalidade embriónica foi cinco vezes mais elevada no grupo exposto às radiações que no grupo de controlo, concluíram os investigadores, sublinhando que o estudo permitiu demonstrar pela primeira vez que a radiação emitida por este tipo de estações pode induzir efeitos biológicos.
 

 

"Se não foi detectada nenhuma patologia directamente causada pela acção dos campos electromagnéticos, os estudos parecem indicar que existem disfunções biológicas subtis, indirectas, específicas, como a reacção ao stress, que podem originar modificações no estado de saúde diferentes consoante as predisposições genéticas e outras características ambientais de cada indivíduo" sublinhou René Messagier, director de investigação médica do centro.
 

 

Segundo Messagier, estes trabalhos permitem "presumir que a exposição crónica aos campos electromagnéticos apresenta alguns riscos para a saúde pública".
 

 

"Induzir um efeito biológico num organismo vivo pela sua exposição a estes campos é obrigar este organismo ou algumas das suas células a compensarem este efeito e a restabelecer o seu equilíbrio anterior por um esforço de adaptação", sublinhou Messagier.
 

 

O Tecnolab afirma desenvolver tecnologia que permite tornar biocompatíveis estes campos artificiais.
 

 

As VIII Jornadas Portuguesas de Protecção Contra Radiações contam com a colaboração científica, além da Faculdade de Direito de Lisboa, da Sociedade Brasileira de Protecção Radiológica, Sociedade Espanhola de Protecção Radiológica e Conselho de Segurança Nuclear de Espanha.
 

 

Além dos estudos em causa, vão ser discutidas questões como a vigilância da radiação ultravioleta em Portugal ou a protecção contra radiações em ressonância magnética.
 

 

 

Fonte: Lusa
 

 

 

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