Radiação provoca alterações celulares que podem proteger o corpo dos danos

Estudo publicado no “European Heart Journal”

30 agosto 2011
  |  Partilhar:

Cardiologistas que realizam cirurgias cardíacas usando cateteres guiados por raio-x são expostos, anualmente, a radiação ionizante em níveis entre duas a três vezes mais elevados do que, por exemplo, os radiologistas. Agora, novas pesquisas descobriram, pela primeira vez, que estes altos níveis de exposição causam alterações ao nível celular que podem proteger o corpo contra os efeitos nocivos da radiação.

 

O estudo publicado no “European Heart Journal” constatou que os cardiologistas regularmente expostos a raios-x no seu trabalho, aumentavam, por um lado, os níveis de glutationa, um  antioxidante que protege as células dos danos causados pelas moléculas contendo oxigénio (Espécies Reactivas de Oxigénio ou ROS); assim como os níveis de peróxido de hidrogénio (que indica os níveis de stress oxidativo causado pelas ROS) . Além disso, os linfócitos mostraram um aumento dos níveis de uma enzima chamada caspase-3, que está envolvida na morte celular programada, uma forma de protecção caso se tornem cancerosas.

 

Os autores da pesquisa, liderada por Eugenio Picano, director do Instituto de Fisiologia Clínica do Conselho Nacional de Pesquisa Italiano, em Pisa, Itália, acreditam que essas mudanças indicam que a radiação induziu alterações potencialmente nocivas a nível celular (como indicado pelo aumento de três vezes os níveis de peróxido de hidrogénio), mas que este, por sua vez  induziu uma resposta protectora, reflectida por um aumento, de quase duas vezes, na glutationa e um aumento da susceptibilidade dos glóbulos brancos para a apoptose, que poderá ser o modo como o corpo mata as células danificadas e potencialmente cancerígenas.

 

Os investigadores analisaram amostras de sangue de 10 cardiologistas e 10 profissionais de saúde que não estavam expostos à radiação. Foram recolhidas amostras de sangue para teste de glutationa, peróxido de hidrogénio e caspase-3.

 

Em média, os cardiologistas foram expostos a 4 MiliSieverts (mSv) de radiação ionizante por ano; alguns chegaram a até 8 mSvs. Nos EUA, a exposição média anual de uma pessoa normal, a partir de fontes naturais, é de cerca de 3 mSvs por ano.

 

Os investigadores concluíram que os médicos podem estar a adaptar-se à maior exposição de radiação, com base nos níveis de moléculas chamadas espécies reactivas de oxigénio.

 

As moléculas, espécies reactivas de oxigénio, podem danificar o ADN ao entrarem nas células. Os cardiologistas que participaram no estudo tinham maiores níveis de espécies reactivas de oxigénio no plasma, à volta das suas células do sangue. No entanto, dentro dos glóbulos vermelhos, ambos os grupos tinham os mesmos níveis de espécies reactivas de oxigénio. Isso significa que as células dos cardiologistas estavam a produzir mais glutationa, protegendo as células e os de picos de espécies reactivas de oxigénio.

 

No entanto, ainda não está claro se estas mudanças são benéficas a longo prazo, ou mesmo se reduzem o risco de cancro nestas pessoas. Em vez disso, essas alterações podem, por exemplo, ser indicadores precoces de uma doença, aponta o relatório.

 

Deste modo, os cientistas apelam para a realização de mais estudos de larga escala para determinar os efeitos a longo prazo deste tipo de exposição à radiação. Os cientistas alertam os profissionais para que usem material de protecção adequado, incluindo avental de chumbo e reduzam a dose de radiação que o paciente recebe durante estas intervenções.
 

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.