Químicos no suor podem transmitir emoções positivas

Estudo publicado na revista “Psychological Science”

20 abril 2015
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O odor do suor pode permitir que os humanos comuniquem emoções positivas, como a felicidade, atesta um novo estudo.
 
Segundo o estudo conduzido pela Universidade de Utrecht, na Holanda, os humanos produzem compostos químicos quando estão felizes, os quais são detetáveis por quem sinta o odor do seu suor.
 
Gün Semin, investigador principal deste estudo, e equipa, contaram com a participação de 12 homens e 36 mulheres caucasianos para determinar se o suor de pessoas em estado de felicidade poderia influenciar o comportamento, perceção e estado emocional de pessoas expostas àquele suor.
 
Os 12 homens eram não-fumadores, não tomavam medicação e não tinham distúrbios psicológicos diagnosticados. Durante o período do estudo não puderam consumir alimentos com odor forte, beber álcool, praticar atividades sexuais ou demasiado exercício físico.
 
Foram colocadas compressas absorventes nas axilas dos participantes, os quais foram convidados a assistir um vídeo com o intuito de lhes induzir um determinado estado emocional (medo, felicidade, neutro). Os homens tiveram de realizar também uma tarefa, de forma a ser possível medir emoções implícitas. A tarefa consistia em visualizar símbolos chineses e classifica-los quanto ao seu nível de agradabilidade. As compressas com suor foram retiradas no final das tarefas e guardadas em tubos.
 
A segunda parte do estudo contou com a participação das 36 mulheres, as quais não apresentavam distúrbios psicológicos nem doenças, incluindo respiratórias. Foram escolhidas apenas mulheres para esta parte do estudo, pois estas normalmente possuem um olfato mais apurado e maior sensibilidade a sinais emotivos do que os homens. O ensaio clínico foi em dupla-ocultação pois nem as participantes nem os investigadores sabiam a que amostra de suor estariam as mesmas expostas. 
 
As participantes foram convidadas a sentar-se com o queixo apoiado. Foram apresentadas amostras de suor de participantes que experimentaram diferentes tipos de emoções (medo, felicidade e neutro) a cada uma das mulheres, com intervalos de cinco minutos entre cada amostra.
 
Os resultados desta análise confirmaram que os vídeos influenciaram os estados emocionais dos homens, como por exemplo, os que viram vídeos alegres demonstraram predominantemente emoções positivas. 
 
Relativamente às mulheres, tudo indica que também receberam a mensagem. As que foram expostas ao suor oriundo de homens com medo demonstraram mais atividade no músculo occipitofrontal, um traço comum da expressão de medo. As participantes expostas ao suor advindo de homens com sentimentos de felicidade demonstraram maior atividade muscular facial que indica uma expressão de felicidade. Não foi observada uma associação entre as respostas faciais das participantes e as classificações das mesmas sobre a agradabilidade e intensidade do suor.
 
Adicionalmente, as amostras de suor não exerceram impacto sobre as classificações das mulheres em relação aos símbolos chineses, o que sugere que os compostos químicos não influenciaram os estados emocionais das mulheres.
 
“O nosso estudo sugere que estar exposto a suor produzido sob estado de felicidade induz um simulacro de felicidade nos recetores e induz a um contágio desse estado emocional”, conclui Gün Semin. “Isto sugere que alguém que está feliz irá influenciar outros à sua volta com felicidade. O suor de felicidade é de uma forma como sorrir: é contagioso”, acrescenta.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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