Quem fala chinês usa os dois lados do cérebro

Estudo lança novas pistas para a aprendizagem de línguas

12 janeiro 2005
  |  Partilhar:

Se aprender uma língua na idade adulta não é fácil, para quem já tentou aprender chinês as dificuldades são a dobrar. Um novo estudo vem agora a explicar todas estas dificuldades. Investigadores britânicos descobriram que as pessoas que falam mandarim usam os dois lados do cérebro para entender a língua. Por exemplo, quem fala inglês utiliza apenas um lado do cérebro.De acordo com os cientistas, os resultados do estudo podem ajudar a entender de que modo o cérebro processa as línguas. Os resultados podem ajudar no desenvolvimento de melhores formas para ajudar as pessoas a reaprender línguas depois de um acidente vascular cerebral.Sophie Scott, a investigadora que liderou a equipa do Wellcome Trust, fez o mapeamento do cérebro de um grupo de pessoas que falam mandarim e inglês. E descobriu que o lóbulo esquerdo, localizado no temporal esquerdo, fica activo quando as pessoas que falam inglês ouvem a língua. Esta é, segundo os cientistas, a área do cérebro que liga os sons da fala para formar palavras.Durante a investigação, a equipa esperava encontrar resultados semelhantes nas pessoas que falam mandarim. Mas não. Tudo porque constataram que o lóbulo esquerdo e direito ficam activos quando elas ouvem mandarim.Segundo Scott, as pessoas que falam diferentes línguas usam o cérebro para descodificar a fala de formas diferentes. «E isto derrubou algumas teorias de muitos anos».Mandarim é uma língua conhecida por ser de difícil de aprender. Ao contrário do inglês, os que falam mandarim usam a entonação para identificar significados totalmente diferentes de determinadas palavras. Por exemplo, a palavra «ma» pode significar mãe, malvada, cavalo ou cânhamo, dependendo da maneira como é dita.Os investigadores acreditam que esta necessidade de interpretar a entonação leva as pessoas que falam mandarim a necessitarem dos dois lados do cérebro.O lóbulo temporal direito é normalmente associado à capacidade de processar os tons musicais. «Acreditamos que as pessoas que falam mandarim interpretam a entonação e melodia no lóbulo temporal direito para dar o significado correcto das palavras faladas», disse Scott.Por isso, adianta a investigadora, parece que a estrutura da língua que se aprende em criança afecta a maneira pela qual a estrutura do cérebro se desenvolve para descodificar a fala. «Por exemplo, as pessoas que têm o inglês como língua mãe têm uma enorme dificuldade em aprender mandarim».Para a investigadora, esta descoberta pode ajudar os cientistas a entender a relação do cérebro com a aprendizagem de línguas, mas também conduzir a novos remédios para ajudar as pessoas que perderam a capacidade de falar. Traduzido e adaptado por:Paula Pedro MartinsJornalistaMNI-Médicos Na Internet

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.