Queimaduras solares: que danos provocam?

Estudo publicado na “Nature Medicine”

11 julho 2012
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O mecanismo biológico das queimaduras solares, ou seja, a vermelhidão e dor típica da resposta imunológica às radiações ultravioletas (UV), é uma consequência de danos no RNA das células da pele, segundo  um estudo publicado no jornal científico “Nature Medicine”.

 

Richard L. Gallo, docente de medicina na UC San Diego School of Medicine and Veterans Affairs San Diego Health System e principal investigador neste estudo, Jamie J. Bernard, investigador de pós-doutoramento, e colegas descobriram que a radiação UVB altera elementos de micro RNA não codificantes, que são um tipo especial de RNA presente no interior da célula que não está diretamente envolvido na síntese de proteínas. As células irradiadas libertam este RNA alterado, fazendo com que as células saudáveis vizinhas iniciem um processo que resulta numa resposta inflamatória que pretende remover as células danificadas pelo sol. Este processo é visto e sentido como uma queimadura solar.

 

“A resposta inflamatória é importante para iniciar o processo de reparação após a morte celular”, explica Richard Gallo. “Acreditamos igualmente que o processo inflamatório poderá eliminar as células que apresentam danos genéticos antes que estes se tornem cancerígenos. É claro que este processo é imperfeito e quanto maior a exposição aos raios UV, mais aumenta o risco das células se tornarem cancerígenas”, continua.

 

Os cientistas envolvidos neste estudo acreditam que estas descobertas poderão abrir caminho para eventualmente ser possível bloquear o processo inflamatório, o que poderá ter implicações numa série de problemas e tratamentos clínicos. “Por exemplo, as doenças como a psoríase são tratadas com luz UV, mas o principal efeito secundário deste tratamento é o aumento do risco de cancro de pele”, afirma Richard Gallo, acrescentando ainda que “A nossa descoberta propõe uma forma de se obter os efeitos benéficos da terapia UV sem que se tenha que expor os pacientes à luz UV prejudicial. Algumas pessoas têm também demasiada sensibilidade à luz UV, como os pacientes com lúpus, por exemplo. Estamos a explorar o que se pode fazer para bloquear esta trajetória que descobrimos”.

 

Segundo Gallo, ainda se desconhece se o género, a pigmentação da pele e as características genéticas individuais afetam o mecanismo das queimaduras solares. “A genética está intimamente ligada à capacidade de defesa contra os danos UV e ao desenvolvimento do cancro de pele”, afirma. “Sabemos que com os nossos modelos genéticos de ratos, genes específicos irão mudar a forma como os ratos adquirem queimaduras solares. Os seres humanos possuem genes semelhantes, mas desconhece-se se estes têm mutações nesses genes que afetem a sua resposta à exposição solar”, conclui.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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