Quebra de tensão na meia-idade associada a futura demência?

Estudo apresentado em conferência da Associação Americana do Coração

16 março 2017
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Um estudo sugere que as pessoas de meia-idade que têm episódios de descidas temporárias da pressão arterial que causam tonturas quando se levantam poderão apresentar um maior risco de declínio cognitivo ou demência 20 anos mais tarde.
 
O estudo conduzido pela Escola de Saúde Pública Bloomberg da Universidade John Hopkins, EUA, associou esses episódios a possíveis danos permanentes possivelmente porque reduzem o fluxo sanguíneo necessário para o cérebro. 
 
Para o estudo os investigadores analisaram dados do estudo de coorte conhecido como Risco da Aterosclerose nas Comunidades (ARIC na sua sigla em inglês) que envolveu 15.792 residentes nos EUA, que tinham entre 45 e 64 anos no início do estudo, em 1987. 
 
A equipa centrou-se em 11.503 participantes na primeira visita que não evidenciavam histórico de doença coronária ou de acidente vascular cerebral (AVC). A pressão arterial dos voluntários foi medida ao levantarem-se, após terem estado deitados durante 20 minutos. 
 
A hipotensão ortostática foi considerada como sendo uma descida de 20mmHg ou mais na pressão arterial sistólica ou 10mmHg na pressão arterial diastólica. Foi observada hipotensão ortostática em cerca de 6% (703) dos participantes.
 
O grupo de participantes que perfazia uma média de idades de 54 anos no inico do estudo foi seguido durante mais de 20 anos. Os indivíduos que tinham hipotensão ortostática na primeira visita revelaram uma tendência 40% superior de desenvolverem demência do que os que não tinham. Esses participantes apresentavam também uma possibilidade 15% maior de sofrerem declínio cognitivo.
 
Andreea Rawlings, autora principal do estudo e investigadora do Departamento de Epidemiologia da Escola Bloomberg, afirma que não é possível ter a certeza se a hipotensão ortostática era um indicador de outra doença ou se a descida na pressão arterial é por si só a causa, embora seja provável que a redução no fluxo sanguíneo para o cérebro, mesmo que temporária, possa ter consequências permanentes. 
 
“Identificar fatores de risco para o declínio cognitivo e demência é importante para percebermos o progresso da doença e conseguirmos identificar quem corre mais riscos oferece-nos possíveis estratégias de prevenção e intervenção”, continua a investigadora. “Este é um desses fatores que merecem pesquisa mais aprofundada”, conclui. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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