Que cor são os teus olhos?

Daltonismo afecta nove por cento da população mundial

25 novembro 2002
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Anomalia genética e incurável, o daltonismo afecta nove por cento da população mundial e sobretudo os homens. A deficiência visual em reconhecer as cores traduz-se em coisas tão simples como não saber a cor da bandeira, do arco-íris ou dos semáforos.
 

 

Por Mirla Ferreira Rodrigues Manuel Pereira nunca entendeu muito bem por que razão os meninos da sua escola tinham uma caixa com doze lápis de cor, quando na realidade ele só precisava de seis. Quando chegava a hora de fazer desenhos, a professora sentava-se junto dele e dizia-lhe quais as cores que tinha que utilizar. Sabia que o menino tinha algum problema, mas não conseguia identificá-lo. Durante a adolescência, Manuel trabalhou numa mercearia de aldeia, onde entre outras coisas se vendiam linhas e tecidos. As mães mandavam os rapazes da sua idade com um pedaço de tecido para comprar um carro de linhas da mesma cor. "Passados cinco minutos estavam as mães de volta a perguntar por que tinha dado uma linha vermelha para um tecido castanho, ou qualquer outra cor que não a do pano..."
 

 

Só aos 16 anos, quando o irmão foi à inspecção e ficou na reserva por não saber distinguir as cores, é que começou a desconfiar que também seria daltónico. A confirmação da deficiência visual para as cores teve-a dois anos mais tarde, quando fez os testes para entrar na Marinha.
 

 

Concluiu as provas físicas com aproveitamento, mas quando fez o teste de Ishiara não conseguiu ver nada. "Quando chegou a vez do teste médico, o oficial perguntou-me que número via no círculo. Eu só via pintas e mais pintas. Devo ter dito um número tão estúpido que o homem pensou que estava a gozar com ele..." A partir de então começou a criar defesas, como vestir-se sempre de preto, a única cor que distinguia com clareza.
 

 

Alfredo Rasteiro, professor de Oftalmologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e oftalmologista dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) afirma que uma das primeiras coisas que alguém faz quando descobre que é daltónico é criar auto-defesas. "Quem não distingue as cores tem que arranjar referências para lidar com o mundo que o rodeia. Já imaginou a agressão que existe para os olhos de um daltónico entrar numa estação de correios, onde predomina o vermelho?" De facto, a maior parte dos daltónicos - calcula-se que cerca de 99 por cento - são "daltónicos vermelhos" e "daltónicos verdes". Ou seja, a sua cegueira afecta principalmente a cor vermelha e verde. Na Europa, seis a oito por cento dos homens confundem estas duas cores. As mulheres só muito excepcionalmente, menos de um por cento da população europeia.
 

 

Leia tudo no: Público
 

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