Quase 2 em cada 10 doentes com VIH/sida não são seguidos

Estudo sobre a “cascata de tratamento” do VIH/sida em Portugal

26 julho 2017
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Quase duas em cada dez pessoas em Portugal diagnosticadas com VIH/sida não são seguidas nos serviços de saúde, o que representa quase oito mil doentes, e só menos de sete em cada dez estão verdadeiramente em tratamento, apurou a agência Lusa.
 
Estas são conclusões de um estudo que oferece dados completos sobre a “cascata de tratamento” do VIH/sida em Portugal, segundo o especialista e antigo diretor do Programa Nacional para a Infeção VIH/sida, António Diniz.
 
Neste trabalho realizado por vários peritos portugueses é analisado o ponto de situação nacional relativamente aos três grandes objetivos traçados pelas Nações Unidos para 2020, a tríade conhecida por 90 – 90 – 90.
 
A primeira meta é ter 90% das pessoas que vivem com VIH/sida diagnosticadas, um objetivo já conseguido por Portugal. Os outros dois objetivos definidos pela ONUSida são alcançar 90% dos diagnosticados em tratamento e 90% dos que estão em tratamento atingirem carga viral indetetável (o que torna muito baixa a possibilidade de transmitir a infeção).
 
A investigação foi feita com dados de 2014 e mostra que Portugal tinha apenas cerca de 65% das pessoas diagnosticadas em tratamento. António Diniz e os outros investigadores subdividiram este campo para tentar compreender os passos intermédios entre o diagnóstico e o tratamento.
 
Do total de pessoas diagnosticadas são seguidas pouco mais de 80% e, das que são “verdadeiramente seguidas”, só 79% estavam em tratamento na altura. A junção destes dois dados fez com que apenas 64,4% das pessoas diagnosticadas com VIH/sida estivessem a receber, de facto, tratamento, quando a meta para 2020 é de 90%.
 
António Diniz ressalva que esta avaliação reporta a 2014, quando só em 2015 foi instituído o princípio de que todos os doentes que fossem diagnosticados com VIH deviam começar de imediato a receber tratamento. Até aí, havia indicação de que algumas pessoas não deviam iniciar tratamento.
 
Ainda assim, o especialista salienta que “se perdem” dos serviços de saúde quase 20% dos doentes diagnosticados, o que significa quase 8.000 doentes.
 
O médico defende que cada hospital devia fazer um estudo idêntico, “uma cascata de tratamento” para a sua unidade de saúde, com o objetivo de avaliar o trabalho que está a ser feito e de perceber quem são os doentes que estão a escapar ao sistema.
 
Mesmo com os atuais dados de Portugal, António Diniz acredita que ainda será possível em 2020 atingir os três objetivos “90” definidos pela ONUsida. 
 
“Pensava-se que o grande problema e a nossa fraqueza eram no diagnóstico. Percebemos depois que não é o diagnóstico e, agora, que a fraqueza está entre o diagnóstico e o tratamento, na ligação das pessoas aos cuidados de saúde e na capacidade de as reter”, resumiu António Diniz.
 
Ao todo, estima-se que em Portugal haja, pelo menos, 45 mil pessoas com a infeção.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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