Quantos portugueses sofrem de impotência?

Estudo para conhecer patologias sexuais arranca em 2004

31 agosto 2003
  |  Partilhar:

Qual a percentagem de homens com disfunção eréctil e que idade têm? Que expressão tem a frigidez nas mulheres portuguesas? Quantas pessoas procuram ajuda médica e quantas escondem os seus problemas? É a perguntas como estas que vai tentar dar resposta um estudo, a realizar no próximo ano pela Sociedade Portuguesa de Andrologia (SPA), em colaboração com 60 centros de saúde.
 

 

O presidente da SPA, Nuno Monteiro Pereira, explica que só um trabalho deste género permitirá uma afinação das políticas de saúde direccionadas para as patologias sexuais, que até agora se têm apoiado em extrapolações, «pouco fiáveis», a partir de trabalhos estrangeiros.
 

 

Desta vez, o «retrato» da saúde sexual dos portugueses será feito, explica, em centros de saúde padrão, escolhidos «segundo técnicas similares às usadas nas sondagens de cariz político». Que hábitos sexuais têm, com quem dormem e que tipo de prática ou orientação sexual mais lhes agrada é que já são matérias que não se enquadram no âmbito do estudo.
 

 

Ainda para ilustrar a necessidade da realização deste tipo de trabalho, o presidente da sociedade científica dá um exemplo: o número de portugueses com disfunção eréctil rondaria os 500 mil, se a extrapolação fosse feita a partir de um estudo-padrão norte-americano; mas baixaria para 350 mil, se a base fosse um estudo espanhol.
 

 

«As extrapolações conduzem sempre a resultados pouco fiáveis, tendo em conta que há factores de risco diferentes de país para país», explica à agência Lusa Nuno Monteiro Pereira.
 

 

Quase concluído está, entretanto, um estudo-piloto localizado, em Sever do Vouga, Aveiro, que abrange 360 homens dos 18 aos 90 anos e que incide essencialmente sobre a disfunção eréctil. Os dados já disponíveis indiciam uma elevada - mas ainda não quantificada com precisão - prevalência de disfunção eréctil, em vários graus, nos pacientes a partir dos 56 anos, decorrente sobretudo de hábitos tabágicos.
 

 

Nuno Monteiro Pereira estimou que cinco a seis por cento dos portugueses com disfunções sexuais procuram um médico, mais dois por cento do que em 1999, enquanto que 43 por cento das 10 mil chamadas recebidas pela linha de apoio da SPA (808 206 206, das 18h00 às 22h00) se reportaram à disfunção eréctil.
 

 

Trata-se, segundo o especialista, de um êxito relativo, obtido «à boleia» da popularidade alcançada por um medicamento para combater a impotência.
 

 

Caracterizada por uma dificuldade permanente do homem em manter o pénis suficientemente endurecido para uma actividade sexual satisfatória, às vezes em circunstâncias em que subsiste o desejo, a disfunção eréctil é uma patologia sexual de grande expressão em todo o mundo, afectando mais de 15 milhões de homens. Segundo a publicação «Annals of Internal Medicine», um em cada três homens do escalão etário entre os 53 e os 90 anos de idade sofre desta patologia.
 

 

Em Portugal, as projecções realizadas a partir de estudos estrangeiros indicam que metade dos 350 mil a 500 mil homens que padecem deste problema têm entre 40 e 70 anos.
 

 

Sofrer de disfunção eréctil não é sinónimo de infertilidade ou de incapacidade de alcançar um orgasmo ou uma ejaculação e o problema pode ser tratado na maior parte dos casos. Um documentado orientador sobre o tratamento da disfunção eréctil, divulgado em Dezembro de 2001 pela SPA, refere que, «perante as opções terapêuticas disponíveis, é actualmente possível ajudar todos os doentes, independentemente das causas que deram origem à disfunção».
 

 

Fonte: Lusa e Público
 

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.