Quanto mais velho, mais sensível

Idosos «disfarçam», mas sentem emoções mais intensamente

11 novembro 2002
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Só porque os avôs e avós dificilmente choram em casamentos nem batem os pés de raiva e frustração quando acontece algo errado, isso não quer dizer que eles sejam menos sensíveis que os mais jovens, de acordo com um novo estudo.
 

 

«Quando pensamos que um idoso é menos sensível, estamos provavelmente enganados», disse o autor do estudo, Donald A. Powell, do Departamento Dorn do Centro Médico de Assuntos Veteranos, em Columbia (Carolina do Sul), em entrevista à Reuters. «Eles podem expressar menos emoção, mas na verdade controlam-na melhor do que os mais jovens e a sentem-na de forma mais intensa», adiantou o especialista.
 

 

A ideia de que as pessoas ficam menos sensíveis à medida que envelhecem é baseada em investigações anteriores as quais têm mostrando que os idosos não apresentam respostas fisiológicas associadas à emoção, como mudanças na frequência cardíaca e tensão arterial, de forma tão intensa quando os mais jovens. Mas isso significa que os idosos são menos sensíveis?
 

 

Para analisar a questão, Powell e a co-autora do estudo, Louisa B. Prescott, estudaram 30 pessoas entre 18 e 85 anos. Os participantes olharam para 120 fotos agradáveis, desagradáveis e neutras e classificaram-nas de acordo com os seguintes critérios: se as imagens faziam sentir bem ou mal, o quanto foram afectados pela imagem e se sentiam que controlavam as emoções enquanto as viam.
 

 

Enquanto isso, os investigadores mediram a frequência cardíaca, a actividade das glândulas sudoríparas e as mudanças nos músculos faciais dos participantes em resposta às fotos.
 

 

Powell e Prescott descobriram, então, que o grupo mais velho, entre 65 e 85 anos, classificou as respostas emocionais às imagens como mais intensas do que as pessoas entre 35 e 64 anos. Estas, por sua vez, classificaram as respostas emocionais de forma mais intensa do que os participantes mais jovens.
 

 

As pessoas mais jovens, entre 18 e 34 anos, apresentaram as mudanças mais extremas na frequência cardíaca e em outras respostas fisiológicas.
 

 

Os idosos «são, na verdade, mais sensíveis» do que os mais novos, de acordo com Powell. Isto porque, explicou o especialista, «eles tiveram mais experiência com diversas situações emocionais». No entanto, adiantou o médico, não se conhecem as razões pelas quais as alterações fisiológicas que acompanham a emoção serem menos intensas nas pessoas mais velhas.
 

 

Com base nestas descobertas, «um acontecimento que pode não ter tanto impacto emocional num adulto jovem pode ter um impacto maior num adulto mais velho», explicou Powell.
 

 

Desse modo, os idosos depressivos podem vivenciar a doença de forma mais intensa do que os mais jovens, segundo o cientista. Por isso, os médicos devem ter consciência de que os pacientes mais velhos podem precisar de doses mais fortes de medicamentos do que os mais novos.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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